Além da China, México impõe cota para carnes bovina e suína e põe fim à isenção brasileira

Medida, que entra em vigor para o ano de 2026, encerra o período de abertura total que beneficiava frigoríficos brasileiros

Carnes bovina e suína

Seguindo os passos da China, o governo do México anunciou nesta segunda-feira (5) a implementação de cotas de importação para as carnes bovina e suína. A medida, que entra em vigor para o ano de 2026, encerra o período de abertura total que beneficiava frigoríficos brasileiros sob o plano anti-inflação mexicano (Pacic).

As novas resoluções estabelecem um limite de 70 mil toneladas para a carne bovina e 51 mil toneladas para a carne suína. O que exceder esses volumes passará a ser taxado com tarifas de 20% e 16%, respectivamente.

Impacto no comércio brasileiro

Embora as cotas não sejam exclusivas para o Brasil — valendo para todos os países sem acordos de livre comércio com o México —, a indústria nacional é a principal atingida. Segundo Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, o Brasil tem sido, na prática, o grande fornecedor desses produtos ao mercado mexicano.

Os números de 2025 mostram que o volume exportado superou com folga os novos limites:

  • Carne bovina: 113,2 mil toneladas exportadas (Cota 2026: 70 mil t).
  • Carne suína: 74,2 mil toneladas exportadas (Cota 2026: 51 mil t).

“O Brasil continuará exportando mais da metade do volume sem tarifa, mas o excedente agora terá o custo adicional”, explicou Rua.

Mudança no cenário econômico

Até 2025, o México mantinha isenção total para estes itens como parte do Plano Contra a Inflação e a Carestia (Pacic), criado em 2022. Com a prorrogação do programa na semana passada, o governo mexicano optou por retomar o controle do fluxo comercial para equilibrar a oferta externa com a produção interna.

Outro produto afetado foi o arroz em casca, que teve sua isenção revogada e uma cota fixada em 200 mil toneladas para 2026. Em contrapartida, o setor de frango não foi afetado: a proteína permanece isenta e livre de cotas, evitando uma taxação que, antes do Pacic, chegava a 75%.

Próximos passos e incertezas

A distribuição dessas cotas será feita por meio de concurso público, mas ainda há dúvidas no setor produtivo brasileiro sobre como o processo funcionará na prática. O mercado aguarda a publicação de regras de “adequação” para entender como as empresas terão acesso aos volumes isentos.

Na semana passada, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), comemorou a manutenção da isenção para a exportação de carne de frango (que chegou a 236,7 mil toneladas em 2025) e disse que a tarifa de 16% para a proteína suína “não torna proibitivo o comércio com o mercado mexicano”.

Segundo a entidade, “a alíquota que passa a vigorar não inviabiliza a continuidade do fluxo comercial, especialmente diante do histórico de demanda pelo produto. Entre janeiro e novembro de 2025, os embarques brasileiros para o país cresceram mais de 70% em volume, chegando a 74 mil toneladas”.

A reportagem procurou a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a ABPA, para novo posicionamento, mas ainda não obteve retorno.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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