Café dispara nos EUA após captura de Maduro e tensão com Colômbia; Brasil ganha espaço

Cotações atingiram os níveis mais altos registrados nas últimas três semanas

Principal motivo do aumento do preço é a escalada da tensão diplomática e militar na América do Sul

O mercado global de café enfrenta um período de forte volatilidade — quando os preços oscilam de forma rápida e imprevisível — nesta quarta-feira (7). Após uma valorização expressiva de mais de 4% na sessão anterior, os contratos futuros do café arábica na ICE (Intercontinental Exchange) continuam subindo. Esse movimento levou as cotações aos níveis mais altos registrados nas últimas três semanas, refletindo o nervosismo dos investidores diante das incertezas no fornecimento do grão.

No meio da manhã, o contrato com vencimento para março de 2026 — que serve como o principal termômetro para os preços atuais — registrava uma alta de 2,09%, sendo negociado a US$ 3,8160 por libra-peso (unidade de medida padrão em Nova York que equivale a cerca de 453 gramas). O otimismo do mercado foi tão acentuado que, no ponto mais alto do dia até o momento, o valor chegou a tocar os US$ 3,8285, aproximando-se de patamares historicamente elevados para a commodity.

Efeito Maduro: captura gera instabilidade regional

O principal motivo do aumento do preço é a escalada da tensão diplomática e militar na América do Sul. A captura de Nicolás Maduro pelo governo de Donald Trump, ocorrida no último sábado (3), acendeu o alerta sobre a estabilidade da Colômbia, o segundo maior produtor mundial de arábica.

Analistas do Rabobank, em relatório divulgado pela Reuters, destacam que o mercado precifica o risco de uma interferência direta dos Estados Unidos na região, seja de ordem econômica, política ou militar.

“Essa instabilidade proporciona uma alta nos preços. A operação militar dos EUA na Venezuela atraiu críticas dos presidentes Lula (Brasil) e Gustavo Petro (Colômbia). Se a relação entre EUA e Brasil azedar novamente, teremos outro fator de risco para as cotações”, pontuou a instituição financeira.

Exportações brasileiras limitam ganhos

Apesar do cenário geopolítico conturbado, a alta do café encontra um “teto” temporário nos dados vindos do Brasil. O maior produtor mundial de café registrou um aumento de 4,2% nas exportações de grãos verdes em dezembro, em comparação ao mesmo mês de 2024.

Este foi o primeiro avanço anual desde março, indicando uma oferta mais robusta vinda das lavouras brasileiras, o que ajuda a equilibrar o déficit projetado em outros países produtores.

Panorama do Mercado

Confira as cotações desta quarta (7):

  • Café Arábica (Março/26): US$ 3,8160/libra-peso (+2,09%)
  • Café Robusta: US$ 4.006/tonelada (estável)

A estabilidade do café robusta contrasta com o nervosismo do arábica, evidenciando que o foco dos investidores está concentrado nas origens sul-americanas e nos possíveis desdobramentos da política externa dos EUA no continente.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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