Agro paulista exporta US$ 4,14 bilhões para a UE e projeta salto com acordo Mercosul

Bloco europeu já é o segundo maior destino dos produtos de SP; formalização de tratado internacional deve acelerar crescimento acima dos 5% registrados em 2025

Acordo deve facilitar produtos estratégicos como café, carnes e frutas ao mercado europeu

O agronegócio paulista encerrou 2025 com uma marca histórica em suas relações comerciais com a Europa. As exportações para a União Europeia (UE) atingiram US$ 4,14 bilhões, consolidando o bloco como o segundo principal destino das vendas externas do setor, atrás apenas da China. O montante representa 14,4% de todo o faturamento internacional do agro de São Paulo no último ano.

O desempenho, que já apresenta um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, deve ganhar um novo impulso em 2026. A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, ocorrida no último sábado (17), abre caminho para a desoneração e ampliação do acesso de produtos estratégicos como café, carnes e frutas ao mercado europeu.

Países Baixos: porta de entrada estratégica

Um dos pilares desse sucesso é a logística. Em 2025, os Países Baixos reafirmaram sua posição como o hub de distribuição do agro paulista no continente. Mais de 1 milhão de toneladas foram enviadas ao país, gerando uma receita de US$ 1,3 bilhão.

De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), os itens mais movimentados por este corredor logístico foram:

  • Suco: 300 mil toneladas;
  • Celulose: 236 mil toneladas;
  • Complexo Sucroalcooleiro: 143 mil toneladas.

“O Porto de Roterdã redistribui frutas paulistas para mercados como Alemanha, França e nações nórdicas. É um mercado que valoriza a qualidade e permite ao produtor agregar valor”, explicou Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go. Exemplo disso é a Cooperativa APPC, de Pilar do Sul, que utiliza o canal para escoar caquis de alta qualidade com rastreabilidade garantida.

O novo cenário com o acordo Mercosul-UE

A formalização do acordo de livre comércio, assinada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, é vista como um divisor de águas. Para o secretário de Agricultura de SP, Geraldo Melo Filho, o entendimento de mais de duas décadas cria oportunidades concretas. “Inauguramos uma nova configuração nas relações comerciais que beneficia diretamente nossa produtividade”, destacou.

Inovação e sustentabilidade

A parceria entre São Paulo e o continente europeu vai além da troca de mercadorias. A Secretaria de Agricultura mantém cooperação técnica com o Consulado dos Países Baixos para intercâmbio de tecnologias.

O objetivo é adaptar inovações europeias às condições climáticas brasileiras, focando em sustentabilidade e rastreabilidade — exigências centrais do bloco europeu. “O estado de São Paulo é estratégico por produzir desde matérias-primas para bioenergia até carnes e frutas cítricas com elevados padrões de qualidade”, reforçou Inge Horstmeier, conselheira agrícola da Embaixada dos Países Baixos.

O superávit da balança comercial do agronegócio paulista alcançou US$ 23 bilhões em 2025, e a expectativa é que, com a redução de barreiras tarifárias, o estado amplie ainda mais sua competitividade global no próximo biênio.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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