O agronegócio paulista encerrou 2025 com uma marca histórica em suas relações comerciais com a Europa. As exportações para a União Europeia (UE) atingiram US$ 4,14 bilhões, consolidando o bloco como o segundo principal destino das vendas externas do setor, atrás apenas da China. O montante representa 14,4% de todo o faturamento internacional do agro de São Paulo no último ano.
O desempenho, que já apresenta um crescimento de 5% em relação ao ano anterior, deve ganhar um novo impulso em 2026. A
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Países Baixos: porta de entrada estratégica
Um dos pilares desse sucesso é a logística. Em 2025, os Países Baixos reafirmaram sua posição como o hub de distribuição do agro paulista no continente. Mais de 1 milhão de toneladas foram enviadas ao país, gerando uma receita de US$ 1,3 bilhão.
De acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), os itens mais movimentados por este corredor logístico foram:
- Suco: 300 mil toneladas;
- Celulose: 236 mil toneladas;
- Complexo Sucroalcooleiro: 143 mil toneladas.
“O Porto de Roterdã redistribui frutas paulistas para mercados como Alemanha, França e nações nórdicas. É um mercado que valoriza a qualidade e permite ao produtor agregar valor”, explicou Marcelo Vitali, diretor da consultoria How2Go. Exemplo disso é a Cooperativa APPC, de Pilar do Sul, que utiliza o canal para escoar caquis de alta qualidade com rastreabilidade garantida.
O novo cenário com o acordo Mercosul-UE
A formalização do acordo de livre comércio, assinada pela presidente da Comissão Europeia,
Inovação e sustentabilidade
A parceria entre São Paulo e o continente europeu vai além da troca de mercadorias. A Secretaria de Agricultura mantém cooperação técnica com o Consulado dos Países Baixos para intercâmbio de tecnologias.
O objetivo é adaptar inovações europeias às condições climáticas brasileiras, focando em sustentabilidade e rastreabilidade — exigências centrais do bloco europeu. “O estado de São Paulo é estratégico por produzir desde matérias-primas para bioenergia até carnes e frutas cítricas com elevados padrões de qualidade”, reforçou Inge Horstmeier, conselheira agrícola da Embaixada dos Países Baixos.
O superávit da balança comercial do agronegócio paulista alcançou US$ 23 bilhões em 2025, e a expectativa é que, com a redução de barreiras tarifárias, o estado amplie ainda mais sua competitividade global no próximo biênio.