Minas está entre os melhores lugares do mundo para comer em 2026, segundo revista

Estado é o único destino do Brasil na lista da revista internacional Condé Nast Traveler; texto cita rotas gastronômicas de cidades do interior de MG e restaurantes de BH

Comida mineira aparece em lista internacional

Minas Gerais foi o único destino brasileiro a aparecer na lista “Os melhores lugares para comer em 2026", publicada pela revista internacional Condé Nast Traveler, uma das mais respeitadas do mundo no segmento de turismo e gastronomia. Na publicação, a revista celebrou as tradições mineiras, como a produção artesanal de queijo, vinhedos e a revitalização de mercados históricos.

Com território de 586.522 km², Minas tem sua cultura gastronômica expressa em pratos caseiros feitos, em sua maioria, com ingredientes locais, especialmente o queijo e o café.

Segundo a Condé Nast Traveler, à medida que essas tradições e alimentos chegam às mesas da capital, Belo Horizonte, um público mais amplo passa a descobrir a riqueza gastronômica mineira. A revista também cita rotas gastronômicas de cidades do interior e restaurantes de BH.

O queijo mineiro como patrimônio mundial

A revista destacou que, em dezembro de 2024, a UNESCO reconheceu a produção artesanal de queijo mineiro como o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, relacionado à alimentação no Brasil. O título celebra 106 municípios do Estado, onde o queijo é produzido há mais de 300 anos, exclusivamente com leite cru, coalho natural e o fermento natural conhecido como pingo, que é único em cada fazenda.

Serro e a rota do queijo artesanal

Entre os municípios citados pela Condé Nast Traveler, o município de Serro, localizado a cerca de 300 km de Belo Horizonte, ganhou destaque por seu queijo de sabor “suave e levemente ácido”. A cidade integra uma rota turística oficial de Minas Gerais.

Com cerca de 800 pequenos produtores e fazendas familiares, de acordo com a revista, o roteiro autoguiado permite que visitantes conheçam de perto a arte da produção do queijo, com mais de três séculos de história, além da herança gastronômica mineira que atravessa a Cordilheira do Espinhaço.

Em outro trecho, o repórter relembra uma visita na Fazenda Ventura, localizada no município de Santo Antônio do Itambé, a cerca de 200 km da capital. Ele descreve o local como “cercado por rebanhos e colinas” e relembra que a família conduz os visitantes do estábulo ao laticínio antes de servir seus queijos premiados.

Outra menção é feita a Fazenda Córrego do Taboão, no município de Espera Feliz, a cerca de 300 km de BH. “A experiência inclui visita ao museu e ao lagar da propriedade, com degustação de queijos e doces mineiros preparados em forno a lenha”, descreveu.

Tiradentes e o novo olhar para o vinho mineiro

De acordo com a Condé Nast Traveler, Tiradentes, vila fundada no século XVIII e sede do festival gastronômico mais antigo do Brasil, vive uma nova fase marcada pelo enoturismo, viagem focada na exploração do universo do vinho.

O repórter cita vinícolas como a de Luiz Porto, em Tiradentes; e a Vinícola Trindade, inaugurada no distrito de Bichinho, a apenas oito quilômetros de distância, como pioneiras. “Os visitantes podem degustar vinhos Sauvignon Blanc e Syrah enquanto apreciam a Serra de São José ou provar os rótulos diretamente dos tanques nas adegas”, contou.

A revista também destaca a Vinícola Mil Vidas, localizada a cerca de 50 minutos de carro de Tiradentes. “A experiência inclui visita guiada ao vinhedo, com explicações sobre o cultivo e a técnica da dupla poda, que permite a colheita no inverno brasileiro, seguida de harmonização de vinhos com cinco queijos premiados”.

Consolidado como um dos mais importantes do País, o Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes acontece entre os dias 23 de agosto e 1° de setembro

Festival de Tiradentes

O Festival Cultural e Gastronômico de Tiradentes, cuja primeira edição ocorreu em 1998, também é citado pela Condé Nast Traveler como símbolo da evolução da gastronomia local. O repórter observa que na época, a cidade contava com poucos restaurantes. Hoje, dezenas de endereços se espalham pelas ruas históricas.

Entre os destaques estão o tradicional Tragaluz, instalado em uma mansão colonial de 300 anos, e seu restaurante irmão, o Lagar. “A cena contemporânea também aparece com força no Angatu, onde o chef Rodolfo Mayer imprime uma abordagem inovadora aos ingredientes locais”, descreveu.

Belo Horizonte e a cozinha contemporânea

Caso ocorreu na avenida Augusto de Lima perto do Mercado Central

Na capital mineira, a Condé Nast Traveler observa uma cena gastronômica em constante expansão. Para a revista, os chefs vêm abrindo desde restaurantes sofisticados até releituras modernas dos tradicionais botecos de Belo Horizonte.

A revista cita Leo Paixão, do restaurante Glouton, como o nome da alta gastronomia mais requisitado da cidade. Já entre os nomes da nova geração, a reportagem destaca Caio Soter, do restaurante Pacato, e Bruna Martins, do Gata Gorda.

Mesmo com as novidades, a publicação ressalta a importância dos clássicos que ajudaram a consolidar a culinária mineira como uma das mais celebradas do Brasil, como o Xapuri, na Região da Pampulha, e o tradicional Mercado Central.

Viradão Gastronômico da capital

A Condé Nast Traveler também destaca eventos gastronômicos da cidade. O Viradão Gastronômico, realizado pela primeira vez em 2025, retorna em agosto de 2026 reunindo mais de 30 restaurantes, cafés e lanchonetes no centro de Belo Horizonte.

Os estabelecimentos servem pratos populares a preços acessíveis, cerca de US$ 4 por prato, o equivalente a aproximadamente R$ 20. Para a revista, em Belo Horizonte, a pergunta não é onde comer, mas por onde começar.

Leia também

Jornalista graduada na PUC Minas. Trabalhou como repórter do caderno Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias Turismo e Emprego & Concursos.

Ouvindo...