Férias com o pet: especialista alerta para cuidados antes de viajar com cães
Profissional aponta erros comuns no transporte e orienta sobre cuidados antes, durante e após o deslocamento

Viajar com pets durante as férias tem se tornado um hábito cada vez mais comum entre os brasileiros. O movimento acompanha o crescimento das buscas por hotéis pet friendly e a tendência de incluir os animais de estimação nos períodos de lazer em família.
No entanto, especialistas alertam que a prática exige atenção ao comportamento dos cães e ao nível de preparo antes do deslocamento, já que nem todos os animais lidam bem com mudanças de rotina, ambientes novos e longos trajetos.
A especialista em comportamento canino e sócia da Dog Corner, Denise Neves, explica que o primeiro passo é avaliar se o animal está realmente apto a viajar.
Segundo ela, cães muito ansiosos, inseguros ou com medo de outros animais, pessoas ou barulhos podem não se adaptar bem às viagens. Nesses casos, o mais indicado é optar por hotéis ou cuidadores especializados, que ofereçam uma rotina mais previsível e segura, com menor exposição a estímulos.
Preparação antes da viagem
Um dos erros mais comuns, segundo a especialista, é não preparar o cão para o transporte. Muitos animais são colocados pela primeira vez no carro ou em caixas de transporte já durante a viagem, sem qualquer fase de adaptação.
“Esse é, para mim, o maior erro. O cão precisa passar por uma fase de adaptação. Tudo isso é treinável, desde o carro até a caixa de transporte, antes da viagem em si”, diz Denise.
Ela reforça ainda que transportar o animal solto dentro do veículo representa um risco grave tanto para o pet quanto para os passageiros. O uso de caixa de transporte ou cinto de segurança adequado é o mais indicado, conforme o porte e a adaptação do animal.
Outro cuidado importante é evitar alimentar o cão pouco antes da viagem, já que o movimento pode causar enjoo. “O ideal é não oferecer muita comida antes do deslocamento, fazer paradas estratégicas e manter o ambiente ventilado e com ar-condicionado”, orienta.
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Alimentação e itens essenciais
A preparação da “mala do pet” deve respeitar a rotina do animal. A recomendação é manter a mesma alimentação durante a viagem para evitar desconfortos digestivos ou mudanças de comportamento.
Entre os itens indispensáveis estão potes de água e comida, guia, coleira com identificação, caminha ou manta com cheiro familiar, saquinhos higiênicos, medicamentos de uso contínuo e carteira de vacinação. Segundo Denise, manter objetos familiares ajuda o animal a se sentir mais seguro durante o deslocamento.
Sinais de estresse exigem atenção
Durante o trajeto, é importante observar sinais de estresse e ansiedade. Os mais evidentes incluem latidos excessivos, choro, salivação intensa, vômitos e respiração ofegante. Já sinais mais sutis incluem bocejos frequentes, lambedura excessiva do focinho, rigidez corporal, tentativa de se esconder e até recusa de alimento ou comportamento muito quieto.
Caso o animal apresente desconforto, a orientação é manter a calma e fazer pausas seguras. “O ideal é parar, oferecer água, deixar o cão caminhar um pouco e ajudar a reduzir essa ansiedade no percurso”, afirma a especialista. Em casos mais graves, como vômitos recorrentes ou dificuldade para respirar, é necessário buscar orientação veterinária.
Ao chegar ao destino, o ideal é apresentar o ambiente de forma progressiva, sempre com supervisão e uso de guia. Manter objetos familiares, como cama, manta e potes, também ajuda o animal a se sentir mais seguro. “Quanto mais parecida a rotina for com a de casa, menor será o impacto para o animal. A adaptação precisa ser gradual para que ele sinta o menor estresse possível”, finaliza Denise.
Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente, é repórter multimídia no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Antes passou pela TV Alterosa. Escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.



