Depois de mais de quatro décadas sem passeios aquáticos, a Lagoa da Pampulha, um dos cartões-postais de Belo Horizonte, voltou a ser navegada. A retomada acontece com passeios gratuitos a bordo de uma embarcação do tipo catamarã, batizada de Capivarã, que já se tornou uma nova atração turística da capital mineira.
Desde o início das operações, em 27 de dezembro, mais de 20 passeios foram realizados, que movimentaram cerca de 500 pessoas. Cada trajeto tem duração aproximada de uma hora e desperta expectativa antes mesmo da embarcação iniciar a navegação.
Moradores da região celebram o retorno da atividade. Para quem vive próximo à lagoa há décadas, a navegação parecia algo que não voltaria a acontecer. A reativação do passeio representa, para muitos, um novo momento de valorização da Pampulha.
Limpeza e autorizações viabilizaram o retorno
Limpeza na Lagoa da Pampulha
Para que os passeios fossem retomados, uma série de ações foi necessária. Entre janeiro e julho de 2025, mais de 840 toneladas de resíduos foram retiradas da lagoa, em um esforço de recuperação ambiental da área.
Além da limpeza, o projeto passou por avaliações técnicas e recebeu autorizações da Marinha do Brasil e de órgãos de proteção ao patrimônio. Segundo os responsáveis, todas as etapas seguiram a legislação vigente para garantir segurança e preservação do local.
Passeio guiado e capacidade limitada
O Capivarã tem capacidade para até 30 pessoas, incluindo tripulação e um guia turístico. Durante todo o percurso, os visitantes recebem informações históricas, ambientais e culturais sobre o Conjunto Moderno da Pampulha.
Reconhecido em 2016 como Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, o complexo foi idealizado por Juscelino Kubitschek e teve projetos assinados por Oscar Niemeyer, além de paisagismo de Burle Marx e obras de arte integradas à arquitetura.
Roteiro passa pelos principais marcos da Pampulha
O trajeto começa pela Casa do Baile, uma das quatro obras originais encomendadas por Juscelino Kubitschek. Em seguida, a embarcação segue até o centro da lagoa, onde é possível observar a fauna local de perto.
O roteiro inclui ainda o antigo Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha, o Iate Tênis Clube, que também integrou o projeto modernista, e uma parada em frente à Casa Kubitschek, antiga residência de fim de semana do então prefeito da capital.
O ponto mais aguardado do percurso é a Igreja São Francisco de Assis, conhecida como Igrejinha da Pampulha, considerada um dos símbolos mais importantes da arquitetura moderna brasileira.
*Com CNN