Belo Horizonte
Itatiaia

Pessoas azuis de Kentucky: caso raro que intrigou medicina por mais de um século

História da família Fugate revela como isolamento e genética criaram um dos fenômenos mais curiosos dos Estados Unidos

Por
pessoas azuis de kentucky
Public Library of Science/Reprodução

Durante mais de 100 anos, um pequeno grupo de moradores das montanhas Apalaches, em Kentucky, nos Estados Unidos, chamou a atenção por um fenômeno incomum: a pele azulada que marcava gerações inteiras. Conhecidos como Blue People (pessoas azuis), eles pertenciam principalmente às famílias Fugate, Smith, Combs, Ritchie e Stacy, que viveram isoladas na região de Troublesome Creek entre os séculos XIX e XX.

Em vez de causar doenças graves, o problema tinha impacto principalmente estético. Estudos mostraram que tanto Fugate quanto Smith carregavam o gene recessivo responsável pela alteração. Normalmente, o nível de metemoglobina no sangue é inferior a um por cento. Nos Blue People, ele podia chegar a 20%.

O tratamento, porém, era simples. Cawein utilizou uma substância chamada azul de metileno, que reverteu a coloração da pele em poucos minutos. O método passou a ser adotado nos casos identificados posteriormente.

Com o avanço da medicina e o aumento do contato da comunidade com outras regiões, o fenômeno começou a desaparecer. Em 1975, ainda houve o registro de Benjy Stacy, que nasceu com a pele arroxeada. A condição foi rapidamente identificada e tratada. Ao crescer, sua pele ficou normal, embora seus lábios e dedos ainda ficassem azulados em situações de frio ou estresse.

Para os pesquisadores, o caso dos Blue People se tornou um exemplo marcante de como o isolamento social e a genética podem moldar características raras em uma população.

Por

Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.