Melhor que o Ozempic? novo remédio promete emagrecimento sem mexer no apetite

Medicamento experimental atua direto na gordura e pode ajudar no emagrecimento sem reduzir o apetite

Medicamento experimental pode ajudar no emagrecimento sem reduzir o apetite

Pesquisadores anunciaram um medicamento experimental que pode ajudar no emagrecimento sem reduzir o apetite. O estudo foi publicado na revista científica Nature Metabolism e o remédio, chamado SANA, atua diretamente nas células de gordura do corpo, sem afetar o sistema nervoso central ou digestivo.

O SANA, sigla em inglês para salicylate-based nitroalkene, é um derivado do salicilato, substância presente em plantas e que deu origem a remédios como a aspirina. A principal diferença em relação a medicamentos como o Ozempic é justamente a forma de atuação: enquanto os análogos de GLP-1 agem no sistema nervoso e reduzem o apetite, o SANA aumenta o gasto de energia do organismo, sem alterar a fome.

“Todos os medicamentos disponíveis para o tratamento da obesidade atuam inibindo a ingestão alimentar. Desta forma, o SANA surge como uma alternativa inédita de redução de peso corporal e adiposidade, por mecanismo que envolve aumento do gasto energético”, explicou ao G1 o professor William Festuccia, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, que colaborou com o estudo.

Os testes com animais mostraram que o remédio conseguiu prevenir o acúmulo de gordura mesmo com uma dieta rica em lipídeos, além de tratar quadros de obesidade já instalados e melhorar problemas como resistência à insulina.

Em um dos experimentos, camundongos que receberam o SANA junto com uma dieta rica em gordura não engordaram, enquanto os que não tomaram o remédio tiveram um aumento de peso entre 40% e 50%. Em outro teste, os animais já estavam obesos e, após o uso da substância, perderam cerca de 20% da massa corporal, com melhora da glicemia e redução da gordura no fígado.

Também foram feitos testes iniciais em humanos, em um grupo pequeno de pessoas obesas. Segundo os pesquisadores, o estudo clínico de fase 1 indicou que o medicamento é seguro e teve efeitos positivos, como a redução de peso e melhora na glicemia.

No entanto, em doses muito altas, o SANA causou efeitos colaterais como lesão tubular renal reversível.

Festuccia destacou que o medicamento também tem vantagem em comparação aos análogos de GLP-1, como o Ozempic ou o Mounjaro, por não provocar a perda de massa magra e não causar efeitos gastrointestinais.

“Os análogos de GLP-1 reduzem o peso corporal de forma importante principalmente pela inibição da ingestão alimentar, mas têm efeitos colaterais como a redução da massa magra e problemas gastrointestinais. O SANA reduziu o peso corporal, aumentando o gasto de energia, sem alterar a massa magra”, afirmou ao G1.

Ele ressalta que ainda não é possível dizer o quanto o SANA pode fazer alguém emagrecer, mas os primeiros testes mostraram resultados semelhantes aos dos medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic.

Como as substâncias atuam de formas diferentes, os pesquisadores avaliam a possibilidade de um tratamento combinado com SANA e GLP-1 no futuro.

A pesquisa foi liderada por Carlos Escande, do Institut Pasteur de Montevideo, no Uruguai, com participação de cientistas brasileiros da Unicamp, USP e UFRJ, além do apoio da Fapesp.

De acordo com Escande, a fase 2 do estudo clínico, com um número maior de voluntários, deve começar ainda este ano.

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Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.

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