Como identificar se uma pessoa está mentindo? A psicologia pode ajudar
Especialistas afirmam que mudanças no comportamento, respostas exageradas e contradições podem indicar engano, mas alertam que não existe método infalível

Perceber quando alguém está mentindo continua sendo um dos maiores desafios das relações humanas. Apesar da crença popular de que o nervosismo ou o desvio do olhar entregam uma mentira, especialistas afirmam que a realidade é muito mais complexa.
Estudos da psicologia mostram que não existe um comportamento universal capaz de revelar, sozinho, quando uma pessoa está mentindo. O mais importante, dizem os pesquisadores, é observar mudanças no padrão habitual de comportamento.
A professora de psicologia forense Coral Dando, da Universidade de Westminster, explicou que muitas pessoas ainda acreditam em sinais clássicos que nem sempre funcionam. “Não há um indicador confiável do engano”, afirmou a especialista ao site de notícias argentino Infobae.
Ela destacou que comportamentos como evitar contato visual, parecer ansioso ou hesitar ao responder podem acontecer tanto em pessoas que mentem quanto naquelas que estão dizendo a verdade. Por isso, segundo Dando, analisar apenas a linguagem corporal pode levar a conclusões erradas.
A reportagem também destaca que pessoas próximas costumam perceber mentiras com mais facilidade justamente porque conhecem os hábitos naturais umas das outras. Pais, familiares e amigos conseguem notar pequenas mudanças de atitude, tom de voz ou forma de agir que podem funcionar como sinais de alerta.
Outro ponto observado pelos pesquisadores é a maneira como a pessoa se comunica durante uma conversa. Um estudo citado na reportagem identificou que pessoas mentirosas frequentemente dão respostas excessivamente detalhadas, falam mais do que o necessário ou tentam mudar de assunto para evitar perguntas diretas.
Os cientistas chamam esse comportamento de “efeito Pinóquio”. A ideia é que algumas pessoas tentam parecer convincentes exagerando nas explicações. Em outros casos, acontece justamente o contrário: quem está escondendo algo responde com poucas palavras e evita fornecer detalhes.
O professor de psicologia Richard Wiseman, da Universidade de Hertfordshire, também citado pelo Infobae, afirmou que as palavras costumam revelar mais do que os gestos. “As pistas verbais podem ser mais reveladoras que as não verbais”, afirmou, ao comentar os estudos sobre detecção de mentiras.
Wiseman ainda desmontou uma das crenças mais populares sobre o tema: a ideia de que pessoas mentirosas sempre desviam o olhar. Segundo ele, o mais importante é observar incoerências e mudanças inesperadas no comportamento normal de alguém.
Outros especialistas mencionados pelo site argentino apontam que sinais físicos também podem surgir em situações de tensão emocional. Entre eles estão alterações no tom de voz, movimentos repetitivos, pausas longas para responder e gestos ligados ao nervosismo. “Esfregar as mãos, pigarrear ou mexer no cabelo” podem aparecer como formas de aliviar o estresse, explicou o especialista José Manuel Clemente.
Apesar disso, os pesquisadores reforçam que nenhum desses comportamentos prova uma mentira de forma definitiva. A psicologia moderna defende que detectar enganos depende da análise do contexto, da coerência das respostas e das mudanças no comportamento habitual da pessoa.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



