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Brasil escondeu casos de OVNIs no Pará, revela ex-oficial dos EUA que liderou programa no Pentágono

Moradores de Colares, no arquipélago de Marajó, relataram ao governo luzes voadoras misteriosas, aparições de OVNIs e supostos ataques de raios

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Brasil escondeu casos de Óvinis no Pará, revela ex-oficial americano que liderou programa no Pentágono
Brasil escondeu casos de OVNIs no Pará, revela ex-oficial dos EUA que liderou programa no Pentágono • Reprodução/ Arquivo Nacional

Ex-oficial do Pentágono, nos Estados Unidos, Luis Elizondo explicou os motivos que fizeram o governo brasileiro silenciar, nos anos 1970, sobre casos de objetos voadores não identificados (OVNIs) — mais recentemente chamados de Fenômenos Anômalos Não Identificados (UAP, na sigla em inglês).

O autor americano, de ascendência cubana, chefiou o Programa de Identificação de Ameaças Aeroespaciais Avançadas (AATIP).

Em agosto de 2024, ele lançou o livro de memórias “Iminente — Os bastidores da caçada do Pentágono a OVNIs”, publicado neste ano no Brasil.

Relatos de testemunhas

Elizondo cita a Operação Prato, conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) entre 1977 e 1978, durante a Ditadura Militar.

A operação investigou luzes voadoras misteriosas, aparições de OVNIs e supostos ataques de raios à população em Colares, no arquipélago de Marajó, no Pará.

Em documentos do governo obtidos pela Itatiaia por meio do Arquivo Nacional, foi possível coletar relatos de testemunhas do fenômeno.

O padre Alfredo de La O, vigário de Colares, descreveu aos investigadores o que visualizou após ter sido acordado de madrugada pelo latido de seus cães.

“Avistou um objeto que emitia forte luminosidade e que se deslocava do mar para a terra, no sentido Norte/Sul. O objeto desenvolvia grande velocidade, voava a uma altura aproximada de 20 metros, em absoluto silêncio. Na parte superior, o aparelho emitia luz vermelha e na parte inferior uma luz muito intensa que chegou a clarear toda a área por onde passou”, descreveu.

“As pessoas se referiam a ter sido atingidas por uma luz intensa e apresentavam uma sintomatologia de etiologia desconhecida, com paresia generalizada, hipertermia, cefaleia e queimadura superficial (1º grau), calor interno, náuseas, tremores do corpo, tontura, astenia e minúsculos orifícios na pele”, afirmou.

O caso, que ficou conhecido como “chupa-chupa” ou “luz vampira”, foi encerrado sem grandes conclusões pelas autoridades brasileiras.

Silêncio do Brasil

Em entrevista à CNN, o ex-oficial americano explicou o que motivou o silêncio brasileiro e citou o contexto da Guerra Fria, tensão geopolítica que teve como protagonistas os Estados Unidos e a União Soviética na segunda metade do século XX.

“O Brasil tem uma razão muito prática para manter esse tópico em silêncio por tanto tempo. Talvez uma dessas tecnologias fosse uma tecnologia secreta americana acidentada ou uma tecnologia secreta russa acidentada. O Brasil também quer ser muito cuidadoso para não comprometer ou prejudicar as relações que mantém com outros países”, afirmou.

“Agora que outros países estão se manifestando [sobre seus estudos acerca de OVNIs] — como a Rússia, os Estados Unidos, a China — e admitindo que isso é real, acho que tornará muito mais fácil no futuro para o Brasil ter essa conversa, mesmo entre seus próprios cidadãos”, disse Luis Elizondo.

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Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).