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A psicologia explica por que algumas pessoas encontram nos cães uma conexão emocional que nem sempre encontram em outros relacionamentos

Mais do que carinho, esse vínculo envolve segurança emocional, redução do estresse e a sensação de ser aceito sem medo de julgamentos

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A ciência explica o vínculo entre humano e cachorro
A ciência explica o vínculo entre humano e cachorro • Magnific

Quem tem um cachorro sabe: há dias em que chegar em casa e ver o rabo do animal abanando é a única coisa que pode levantar o astral. Para muitas pessoas, o vínculo com o cão vai muito além do simples afeto por animais, sendo uma relação que vivenciam com uma intensidade especial.

Mas o que explica essa ligação tão especial? A ciência vem investigando essa relação há anos, e as respostas passam pela química do cérebro, pela redução do estresse e algo tão simples quanto se sentir incondicionalmente aceito.

Um olhar que ativa o hormônio do afeto

Um dos estudos mais conhecidos sobre o tema foi publicado na revista Science, em 2015. Uma equipe de pesquisadores japoneses, liderada por Miho Nagasawa, descobriu que, quando um cachorro e seu dono olham nos olhos um do outro, os níveis de ocitocina aumentam em ambos. A ocitocina é o hormônio associado ao apego, o mesmo envolvido no vínculo entre mãe e filho.

O mais surpreendente é que o efeito funcionava como um ciclo. O olhar do cão aumentava os níveis de ocitocina do dono, que respondia com mais contato e atenção, o que, por sua vez, aumentava a ocitocina do animal.

Como explicou a National Geographic, esse ciclo não ocorreu com lobos criados por pessoas, sugerindo que os cães desenvolveram uma forma muito semelhante à humana de comunicar afeto durante a domesticação. Alguns cientistas esclareceram posteriormente que mais estudos são necessários para confirmar se isso é exclusivo dos cães, mas o aumento da ocitocina com o contato visual foi de fato documentado.

Uma companhia que não julga

Outro fator crucial reside no tipo de apoio que oferecem. A pesquisadora Karen Allen, da Universidade de Buffalo, estudou 240 casais enquanto realizavam tarefas estressantes, como resolver problemas de matemática em voz alta ou colocar a mão em água gelada. Alguns fizeram isso sozinhos; outros, acompanhados pelo parceiro, um amigo ou seu animal de estimação.

Os resultados, publicados na revista Psychosomatic Medicine, foram surpreendentes. Os donos de animais de estimação apresentaram menos picos de pressão arterial e frequência cardíaca, recuperaram-se mais rapidamente do estresse e a reação menos severa ocorreu justamente quando seus animais estavam presentes.

Em contrapartida, aqueles que realizaram cálculos com seus parceiros presentes tenderam a cometer mais erros. Para Allen, uma possível explicação está na sensação de aceitação incondicional que os cães proporcionam, já que eles não julgam, não criticam nem demonstram decepção quando cometemos um erro.

Por que essa conexão parece tão diferente?

Essa é uma das razões pelas quais muitas pessoas sentem algo pelos seus cães que nem sempre encontram em outros relacionamentos. Com um cão, não há mal-entendidos, ressentimentos ou problemas não resolvidos. O afeto é constante e visível, e não depende de como foi o dia ou do que se conquistou. Para quem já passou por decepções ou se sente facilmente julgado, essa estabilidade emocional é especialmente reconfortante.

Os próprios donos frequentemente descrevem seus cães como amigos que não os julgam, como Allen observou em sua análise da pesquisa. Essa sensação de segurança explica por que tantas pessoas recorrem a seus cães em momentos difíceis, por que conversam com eles tão naturalmente ou por que sua perda é vivenciada como um luto tão profundo quanto o de um ente querido.

Um tipo diferente de relacionamento

Amar um cachorro não significa ter dificuldade em se relacionar com outras pessoas ou preferir animais a seres humanos. A própria Allen alertou que algumas afirmações sobre os benefícios dos animais de estimação são exageradas e que o efeito depende muito do vínculo que cada pessoa tem com seu animal. O que os cães oferecem é um tipo diferente de conexão, que complementa as já existentes.

Na verdade, em muitos casos, eles servem como uma ponte para outras pessoas. Levar o cachorro para passear obriga você a sair de casa, encontrar vizinhos e puxar conversa com outros donos no parque. Para alguém que mora sozinho ou está passando por um período de isolamento, esse contato diário pode fazer toda a diferença.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.

 

 

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