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Por que reconhecemos um rosto, mas esquecemos o nome? A psicologia explica

A resposta está na forma como o cérebro armazena informações: enquanto rostos despertam lembranças e associações, os nomes próprios nem sempre têm referências que facilitem sua recuperação na memória

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Esquecer o nome de uma pessoa está relacionado a diferentes processos de armazenamento de informações pelo cérebro
Esquecer o nome de uma pessoa está relacionado a diferentes processos de armazenamento de informações pelo cérebro • Magnific

Se você já esbarrou em alguém na rua, reconheceu a pessoa instantaneamente, mas não conseguiu se lembrar do nome, saiba que não está sozinho. É uma das situações mais constrangedoras e comuns que existem. Você sabe onde a viu, sobre o que conversaram e até mesmo o que ela faz da vida, mas o nome simplesmente não vem à mente.

A boa notícia é que isso não significa que você tem uma memória ruim ou que é simplesmente distraído. Segundo a psicologia, rostos e nomes não são armazenados da mesma forma em nossos cérebros, o que pode dificultar a lembrança.

Reconhecer não é o mesmo que lembrar

A primeira chave de entendimento reside em dois processos distintos de memória. Quando você vê um rosto, seu cérebro só precisa reconhecê-lo: comparar o que está à sua frente com o que já viu antes. Mas quando você tenta dizer o nome dessa pessoa, precisa se lembrar dele, ou seja, recuperá-lo da memória sem qualquer estímulo. Os psicólogos sabem há mais de um século que o reconhecimento é muito mais fácil do que a recordação.

É por isso que você sabe perfeitamente que o rosto lhe é familiar, mas o nome não lhe vem à mente. Não é que você o tenha esquecido; é que recuperá-lo exige um esforço muito maior. Prova disso é que, se alguém lhe disser três nomes e um deles estiver correto, você provavelmente o reconhecerá imediatamente. Nesse momento, você passou da lembrança ao reconhecimento.

O experimento do padeiro

A outra chave para compreender esse processo veio de um experimento publicado em 1987 no British Journal of Psychology pelos pesquisadores Kathryn McWeeny, Andrew Young, Dennis Hay e Andrew Ellis. Eles mostraram aos participantes fotografias de estranhos e disseram-lhes o sobrenome e a profissão. O truque era que algumas palavras serviam para ambos, como "Baker", que em inglês é um sobrenome e também significa "padeiro".

O resultado foi surpreendente. Diante do mesmo rosto e da mesma palavra, os participantes acharam muito mais fácil lembrar que alguém era padeiro do que lembrar que seu sobrenome era Baker. A psicóloga Gillian Cohen denominou o fenômeno de paradoxo Baker/baker. Em outras palavras, seria algo como lembrar facilmente que uma mulher é ferreira e, dois minutos depois, esquecer que seu sobrenome é Ferreira.

Por que os nomes são tão difíceis de lembrar?

A explicação tem a ver com associações. Quando você ouve que alguém é padeiro, seu cérebro imediatamente ativa uma rede de ideias, como o forno, o cheiro de pão, acordar cedo, farinha. Todas essas informações ficam gravadas na sua mente e ajudam você a se lembrar. Em contrapartida, um sobrenome geralmente não evoca nenhuma lembrança. A maioria das pessoas com o sobrenome Ferreira nunca trabalhou com ferro, então o nome vem à mente por si só, sem nenhuma associação, o que faz com que ele seja facilmente esquecido .

Além disso, o modelo de reconhecimento de pessoas proposto pelos psicólogos Vicki Bruce e Andrew Young, em meados dos anos 1980, ajuda a explicar por que reconhecemos um rosto com mais facilidade do que lembramos o nome de alguém. Esse processo envolve diferentes etapas: primeiro, identificamos o rosto; em seguida, acessamos informações sobre a pessoa, como sua profissão ou onde a conhecemos; por último, recuperamos seu nome.

Essa última etapa pode ser especialmente difícil, o que explica por que, às vezes, sabemos exatamente quem é alguém, mas simplesmente não conseguimos lembrar como essa pessoa se chama, especialmente quando estamos nervosos ou distraídos.

O momento em que o nome se perde

Muitas vezes, o nome nem sequer é registrado. Durante as apresentações, estamos focados em apertar as mãos, causar uma boa impressão ou pensar no que dizer, e nossa atenção pode se desviar no momento em que a outra pessoa diz o próprio nome. Não é que o esqueçamos depois; é que o cérebro não o registrou com força naquele primeiro instante.

Vale a pena acrescentar uma nuance: o paradoxo Baker/baker não foi reproduzido da mesma forma em todos os idiomas estudados, sugerindo que as convenções de nomenclatura de cada idioma também desempenham um papel. Mas a ideia subjacente permanece, isto é, os nomes estão entre as informações mais difíceis de recuperar.

Como memorizar melhor os nomes

Se os nomes são esquecidos por chegarem sem associações, a solução está em criá-las. Uma técnica simples é repetir o nome em voz alta assim que o ouvir, por exemplo, com "Prazer em conhecê-lo, João", porque as informações que você cria são lembradas melhor do que as informações que você simplesmente ouve. Outra técnica é relacioná-lo a algo familiar: um amigo com o mesmo nome, uma celebridade ou uma imagem que lhe venha à mente ao ouvi-lo.

E se mesmo assim você esquecer um nome, a coisa mais simples a fazer costuma ser também a mais honesta, isto é, admita e pergunte novamente assim que possível. Esquecer um nome não diz nada de ruim sobre você ou seu interesse pelos outros, apenas mostra que seu cérebro funciona exatamente como foi projetado, lembrando-se muito bem de rostos e tendo que se esforçar um pouco mais com nomes que não têm nenhuma história associada a eles.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atuou na Rádio UFMG Educativa e em empresas de marketing, com experiência em produção de conteúdo, SEO e redação Atualmente, escreve, em colaboração com a Itatiaia, nas editorias de entretenimento e variedades.

 

 

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