Uma pesquisa desenvolvida no laboratório GEDAI, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), está transformando a criação de sistemas públicos em Minas Gerais. O projeto foca na acessibilidade digital desde o início do desenvolvimento, permitindo que pessoas cegas, idosos e produtores rurais acessem serviços essenciais com total autonomia.
A iniciativa faz parte de um convênio entre a UFLA e o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), com gestão da FUNDECC. Através dessa parceria, sistemas como o SIDAGRO e o GeoProcess estão sendo reconstruídos sob novas diretrizes. Segundo o desenvolvedor Júlio César Souza de Lima, a acessibilidade deixou de ser uma correção final para se tornar um requisito obrigatório em todas as etapas de criação do software.
Durante o evento, demonstrações técnicas mostraram como descrições corretas de imagens e campos de formulários transformam a experiência de quem usa leitores de tela. A desenvolvedora Esther Silva de Magalhães ressaltou que a principal barreira atual é cultural, já que muitos sistemas ignoram a diversidade de usuários durante o planejamento. O convênio tem vigência de três anos, com previsão de término em 2027.
O impacto da pesquisa atinge diretamente quem depende dos serviços do estado. Para o professor André Pimenta Freire, a tecnologia deve estar preparada para diferentes realidades, atendendo desde comerciantes até servidores públicos. Felipe Fortes Braz, técnico da CEMIG e pessoa cega, reforçou que sistemas acessíveis garantem confiança e condições reais de trabalho e cidadania.