Neste domingo (8), é celebrado o Dia Internacional da Mulher, data marcada pela luta por igualdade de gênero, combate à violência e ao machismo. Instituído pela ONU, o dia leva à reflexão sobre as batalhas femininas para ganhar espaço e reconhecimento em vários setores. Um deles é o literário, onde um grupo em Varginha se reúne para ler e debater obras femininas: o Leia Mulheres. O movimento de evidenciar autoras existe em outras cidades do Brasil, conforme explica a mediadora em Varginha, Luciane Madrid.
“Esse é um projeto que acontece nacionalmente. Ele começou em São Paulo e a primeira ideia de criar foram três escritoras que criaram o clube para ler as mulheres, para modificar essa história de que a maioria das leituras eram autores. Se a gente olhar para as estantes, hoje em dia a minha já está igualitária, mas mesmo a minha era uma estante que tinha 80%, 90% de autores. Então, elas criaram esse clube, objetivando que essas autoras fossem mais conhecidas e mais lidas”, explicou.
O projeto, que nasceu em dois mil e quinze com o apoio das colaboradoras da Biblioteca Municipal, e reúne todo interessado em ler.
Criado em 2015, Luciane disse que o grupo de Varginha nasceu do esforço feminino entre as colaboradoras da biblioteca, Eliana e Jade. O Leia Mulheres joga luz sobre os bastidores de grandes clássicos e as dificuldades das escritoras em ganhar reconhecimento; muitas chegaram a usar codinomes ou nomes masculinos para ganhar espaço ou, as que possuíam recursos, criavam suas próprias editoras.
“Quando a gente olha o nosso cânone literário, nossos autores da literatura mundial, encontramos muito poucas mulheres. E aí a gente tem a impressão de que as mulheres de outros tempos não conseguiam escrever, ou por falta de meios físicos mesmo, por falta de conhecimento ou de permissão que era necessária. E não foi bem assim. Recentes pesquisas descobriram muitas obras de escritoras que conseguiram publicar em sua época, mas que acabaram abafadas nos anos seguintes. Muitas mulheres do século XIX e início do século XX até criaram seus próprios jornais ou editoras para conseguir publicar”, explicou Luciane Madrid.
Acervo da biblioteca está disponível para empréstimo.
Para Eliana Costa, bibliotecária em Varginha, o projeto tem como objetivo garantir igualdade nas estantes. “Não se trata apenas de destacar mulheres escritoras, mas de construir um debate mais justo e mais representativo. O maior ganho desses encontros é quando as mulheres ocupam o centro da roda. A literatura não se divide, ela se expande”, disse.
Ela também cita que o Leia Mulheres em Varginha colocou em evidência autoras que antes não estavam tão presentes em rodas literárias. “Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo, Elena Ferrante. Elas trazem discussões sobre raça, classe, maternidade, violência, trabalho invisível e autonomia feminina. Temas que atravessam a sociedade, mas que nem sempre estavam no centro da crítica literária local”, concluiu.