Dicionários infantis falham ao representar diversidade familiar, aponta estudo

Pesquisa da UNIFAL-MG revela que materiais escolares ainda priorizam modelos tradicionais e ignoram a pluralidade dos arranjos familiares brasileiros.

Um estudo desenvolvido no curso de Letras da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) acendeu um alerta para o setor educacional.

Um estudo desenvolvido no curso de Letras da Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG) acendeu um alerta para o setor educacional. A pesquisa analisou como dicionários escolares infantis definem o conceito de família e concluiu que esses materiais ainda estão distantes da realidade contemporânea, priorizando padrões tradicionais e excluindo diversas configurações familiares presentes na sociedade.

O trabalho foi realizado pela acadêmica Raquel Reis, sob orientação do professor Geraldo Liska, e contou com a coautoria de Jeander Cristian da Silva. A pesquisa ganhou repercussão nacional ao ser publicada na revista Caderno Seminal Digital, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

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Para chegar aos resultados, a autora examinou verbetes e ilustrações de oito dicionários voltados à educação infantil e ao Ensino Fundamental, incluindo obras do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). A análise identificou que a maioria dos livros define família apenas como o núcleo formado por pai, mãe e filhos, baseando-se em laços sanguíneos e omitindo casos de adoção ou famílias monoparentais e homoafetivas.

Raquel Reis, que também é mãe, ressalta que a falta de representatividade pode afetar a identidade dos estudantes. “Uma criança que não vê sua realidade representada tende a interpretar sua vivência como inadequada ou invisível”, argumenta a pesquisadora. Segundo ela, as ilustrações também reforçam padrões restritos, geralmente apresentando famílias brancas e heterossexuais.

O orientador do estudo, Geraldo Liska, observa que os instrumentos linguísticos da escola não têm acompanhado as transformações sociais. Para o doutor em Estudos Linguísticos, os dicionários deveriam funcionar como espelhos da realidade, ajudando a criança a compreender o mundo em que vive, em vez de fixar um modelo social idealizado.

O estudo conclui que é necessária uma revisão crítica dos processos editoriais. A ampliação do conceito de família nos materiais pedagógicos é vista pelos autores como um passo fundamental para garantir a formação cidadã e o respeito à diversidade desde os primeiros anos de alfabetização.

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