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Testemunhas de Jeová flexibilizam regra sobre sangue em tratamentos

Nova orientação mantém proibição de sangue de doadores, mas amplia decisão individual para casos de armazenamento e reinfusão

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Testemunhas de Jeová não autoriza transfusão de sangue • Pixabay/banco de imagens

As Testemunhas de Jeová anunciaram uma atualização importante nas diretrizes sobre o uso de sangue em procedimentos médicos. A partir de agora, fiéis poderão autorizar a retirada, armazenamento e posterior reinfusão do próprio sangue durante cirurgias previamente planejadas.

A mudança representa uma flexibilização em relação à prática tradicional do grupo, que historicamente rejeita transfusões. Ainda assim, a nova orientação mantém a proibição do uso de sangue de outras pessoas, preservando um dos pilares mais conhecidos da crença.

O anúncio foi feito por Gerrit Lösch, integrante da liderança mundial da organização. Segundo ele, a decisão reforça a responsabilidade individual dos fiéis. "Cada cristão deve decidir por si mesmo como seu sangue será usado em cuidados médicos e cirúrgicos", afirmou.

Com cerca de nove milhões de seguidores no mundo e aproximadamente 900 mil no Brasil, o grupo religioso baseia a posição em interpretações bíblicas que orientam a abstenção do sangue. Após a atualização, um porta-voz reforçou que a doutrina central não mudou. "Nossa crença fundamental sobre a santidade do sangue permanece inalterada", disse.

Apesar da abertura, a mudança tem sido alvo de críticas, ex-integrantes argumentam que a nova política ainda limita decisões em situações críticas. O americano Mitch Melon afirmou, ao jornal Los Angeles Times, que a atualização "não vai longe o suficiente", especialmente em casos de emergência ou tratamentos complexos, como alguns tipos de câncer, que podem exigir transfusões de doadores.

O debate sobre o tema também tem chegado aos tribunais. Em dezembro do ano passado, na Escócia, uma decisão judicial autorizou médicos a realizarem transfusão de sangue em uma adolescente de 14 anos, mesmo contra a vontade, caso a vida estivesse em risco após uma cirurgia. A juíza responsável considerou que o procedimento seria necessário para preservar a vida da jovem, levando em conta, mas não priorizando, a posição religiosa.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.