Em meio a pressão dos EUA sobre Cuba, neto de Raúl Castro se diz aberto a negociar com Trump
Estados Unidos impõem meses de pressão a Havana; governo norte-americano indiciou o ex-presidente de Cuba por vários crimes

Raúl Guillermo Rodríguez Castro — neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, e sobrinho-neto de Fidel Castro, líder da Revolução Cubana — afirmou estar aberto a negociar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi divulgada em uma entrevista publicada pelo USA Today nesta segunda-feira (6).
"Posso negociar com qualquer pessoa designada pelos Estados Unidos. (...) Se for dada a oportunidade, [claro que com] Trump", disse Rodríguez durante entrevistas localizadas ao longo de dois dias em junho, em Havana.
Durante as conversas, Rodríguez também disse que Cuba estava disposta, sob as condições adequada, a libertar "pessoas consideradas prisioneiros políticos".
Em maio, Cuba divulgou os nomes de milhares de prisioneiros que receberam liberdade em um decreto emitido no mês anterior, que concedeu "perdão total e definitivo".
A decisão foi descrita por Havana como um "gesto humanitário e soberano", em maio a negociações com os Estados Unidos sobre uma série de disputadas inclusiva sob ameaça de uma invasão.
EUA indiciaram Raúl Castro
Apesar do gesto, ainda em maio, governo dos EUA anunciou o indiciamento do ex-presidente de Cuba, Raúl Castro. O político é apontado pela Justiça norte-americana por assassinato, conspiração para matar cidadãos americanos e destruição de aeronave.
As acusações fazem parte de um dos episódios mais sensíveis da relação entre os dois países nas últimas décadas: a derrubada de dois aviões civis no estreito da Flórida, em 1996.
A medida norte-americana marcou um novo ponto crítico nas relações entre EUA e Cuba e aconteceu no momento em que Trump pressiona por uma mudança de regime em Cuba — onde comunistas aliados de Castro estão no poder desde o falecimento de Fidel Castro, que liderou uma revolução em 1959.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



