Egito anuncia descoberta de cidade bizantina preservada e 18 tumbas antigas
Escavações revelaram uma basílica, moedas de ouro, uma igreja doméstica e um sarcófago de granito em dois sítios arqueológicos

O governo do Egito anunciou neste sábado (4) duas importantes descobertas arqueológicas: uma cidade residencial da era bizantina excepcionalmente preservada no Oásis de Dakhla, no deserto ocidental, e um conjunto de 18 tumbas antigas no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, próximo à cidade de Alexandria. As descobertas fazem parte dos esforços do governo para fortalecer o turismo, um dos principais setores da economia egípcia, impulsionado pelo interesse internacional no patrimônio histórico do país.
Segundo o Ministério do Turismo e Antiguidades, a cidade encontrada no Oásis de Dakhla oferece novas informações sobre a vida cotidiana, o planejamento urbano e as atividades econômicas da região durante o século IV, quando o Egito integrava o Império Bizantino. Os arqueólogos identificaram bairros organizados em ruas que se cruzavam formando praças e espaços públicos. Também foram encontrados uma basílica construída em meados do século IV, duas torres de vigilância e uma estrutura fortificada com espessas muralhas defensivas.
Entre os imóveis escavados está a chamada Casa de Tisous, identificada como residência de um diácono da igreja. Os pesquisadores acreditam que o local tenha funcionado como uma igreja doméstica antes da construção da basílica da cidade. A missão arqueológica também encontrou fornos de pão, cozinhas, ferramentas de moagem de pedra e moedas de bronze bem preservadas com retratos de imperadores bizantinos, inscrições em latim e símbolos cristãos. Além disso, foram localizadas moedas de ouro do período do imperador romano Constâncio II, que governou entre os anos 337 e 361.
Outro destaque foi a descoberta de cerca de 200 óstracos, fragmentos de cerâmica utilizados como suporte para escrita na Antiguidade. As inscrições registram transações comerciais, correspondências e outros aspectos da vida cotidiana da população. O Oásis de Dakhla, localizado na província de Novo Vale, integra a Lista Indicativa da Unesco e pode futuramente ser reconhecido como Patrimônio Mundial.
Tumbas e sarcófago
Na segunda descoberta, arqueólogos localizaram 18 tumbas no sítio arqueológico de Marina el-Alamein, cerca de 100 quilômetros a oeste de Alexandria. Foram identificados 11 túmulos escavados na rocha, com aproximadamente oito metros de profundidade, e outros sete construídos com blocos de calcário, elevando para 48 o número de sepultamentos conhecidos no local.
Durante as escavações, a equipe encontrou vasos de cerâmica, ânforas, lâmpadas, pratos, altares e bacias de calcário. Os pesquisadores também localizaram um sarcófago de granito de aproximadamente 2,5 metros de comprimento contendo restos mortais que passarão por análises, além dos fragmentos de uma estátua de esfinge em gesso.
Outra descoberta chamou a atenção dos arqueólogos: quatro moedas de ouro colocadas na boca de alguns dos mortos, prática funerária conhecida como "língua de ouro", associada às crenças religiosas da época. Marina el-Alamein foi descoberta em 1986 e é considerada pelos pesquisadores a antiga cidade portuária greco-romana de Leukaspis, fundada no século II e habitada até o século IV.
As novas descobertas ocorrem em um momento de recuperação do turismo egípcio. Segundo dados oficiais, o país recebeu um recorde de 19 milhões de visitantes em 2025, alta de 21% em relação ao ano anterior. Nos quatro primeiros meses de 2026, o Egito registrou 6,1 milhões de turistas, acima dos 5,7 milhões contabilizados no mesmo período de 2025.
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