Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio exige atenção a mudanças de comportamento
Neste ano, campanha promovida pelo Centro de Valorização da Vida tem como tema ‘Escutar é estar presente’

Esta reportagem contém conteúdo sensível que pode ativar gatilhos relacionados a tópicos como saúde mental e suicídio. Se você precisa de ajuda, ligue para o número 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), e busque apoio psicológico — o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito.
O Brasil registrou 16.533 vítimas de suicídio em 2025, segundo divulgado pelo o mais recente Mapa da Segurança Pública, realizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número alarmante indica que, aproximadamente, 45 casos de suicídio foram registrados por dia, no último ano, no país.
Neste ano, a campanha do Setembro Amarelo, promovida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), tem como tema “Escutar é estar presente” — buscando lembrar que oferecer uma escuta acolhedora pode ser o primeiro passo para alguém em sofrimento mental encontrar apoio e não enfrentar esse momento difícil sozinho.
Campanha Yellow Ribbon
A Campanha Setembro Amarelo teve início no Colorado, nos Estados Unidos, em 1994, após uma tragédia envolvendo um jovem de 17 anos que tirou a própria vida no dia 8 de setembro do mesmo ano. Mike Emme era apaixonado por carros e havia restaurado um Mustang 1968, que pintou de amarelo.

No funeral do adolescente familiares e amigos distribuíram cartões com laços amarelos — Yellow Ribbon, em inglês — e mensagens de apoio, visando sensibilizar pessoas que enfrentavam dificuldades semelhantes às de Mike e também tivessem dificuldade em compartilhar. Em seguida, a iniciativa da comunidade tornou-se campanha no país.
Posteriormente, os pais de Mike — Dale e Dar Emme — criaram o programa Yellow Ribbon, que tem presença em 47 países, dedicado a capacitar pessoas (de todas as idades) a conscientizar e prevenir o suicídio entre jovens e adolescentes.
Em 2013, o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) decidiu trazer a campanha para o Brasil — ao conhecer a iniciativa nos Estados Unidos, percebeu que o nosso país também precisava falar mais sobre saúde mental e prevenção ao suicídio. No ano seguinte, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), inseriu a Campanha Setembro Amarelo no calendário nacional.
Centro de Valorização da Vida (CVV)
O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma das Organizações Não-Governamentais (ONGs) mais antigas do país. Fundado em São Paulo em 1962, o CVV atua no apoio emocional e na prevenção do suicídio por meio do telefone 188, por chat, e-mail e pessoalmente.
Mais de 3 mil voluntários em cerca de 90 postos prestam serviço voluntário e gratuito 24 horas por dia, nos 365 dias do ano, segundo divulgado pela própria ONG. As conversas podem ser pautadas por sentimentos, dores, descobertas, dificuldades e alegrias — sendo 100% sigilosa.
Cerca de 2 milhões de atendimentos são registrados por ano. Um acordo com o Ministério da Saúde garantiu a gratuidade da tarifação telefônica. É possível entrar em contato pelo número 188.
Casos de suicídio crescem no Brasil
O Mapa da Segurança Pública alerta para o aumento da taxa nacional de suicídios, ao longo da série histórica. Entre 2020 e 2025, o indicador passou de 6,29 para 7,75 vítimas por 100 mil habitantes, o que representou aumento acumulado de 23,2%. Houve uma leve redução observada em 2024 — com 7,72 contra 7,78 registrado em 2023 —, mas a taxa voltou a crescer em 2025, mantendo-se próxima ao maior patamar da série, registrado em 2023, quando alcançou 7,78 vítimas por 100 mil habitantes.
No âmbito nacional, Minas Gerais é o segundo estado do Brasil com mais ocorrências em números absolutos. Proporcionalmente, está no top 10 — atrás do Amapá (9º), Distrito Federal (8º), Tocantins (7º), Roraima (6º), Goiás (5º), Acre (4º), Santa Catarina (3º), Piauí (2º) e Rio Grande do Sul (1º).
Sinais de alerta
O Ministério da Saúde alerta que o suicídio é um fenômeno complexo e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo pode ser o primeiro passo e o mais importante.
A pasta do governo federal indica alguns alertas que devem ser levados à sério, mas não considerados isoladamente. Não há uma “receita” para detectar quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Mas, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo:
- Aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas;
- Preocupação com a própria morte ou falta de esperança;
- Expressão de ideias ou de intenções suicida;
- Isolamento.
Por fim, o Ministério da Saúde alerta para outros fatores que podem influenciar na saúde mental e em pensamentos suicidas como exposição ao agrotóxico, perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas.
Setembro Amarelo: peça ajuda
O Setembro Amarelo é uma campanha nacional de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Não hesite em pedir ajuda, você pode precisar de alguém que te acompanhe e te auxilie a entrar em contato com os serviços de suporte.
Onde buscar ajuda:
- Centro de Valorização da Vida (CVV): número 188, a ligação é gratuita.
- Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (UBS), do Sistema Único de Saúde (SUS).
- Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em caso de emergências: número 194, a ligação é gratuita.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.




