Cigarro, vape e fumo passivo na gravidez: existe quantidade segura?
Dia Nacional de Combate ao Fumo é celebrado neste sábado (29)

O Dia Nacional de Combate ao Fumo é celebrado neste sábado (29). Quando o assunto é cigarro na gravidez, não existe quantidade segura de cigarro, vape ou exposição passiva à fumaça. Segundo Gisele Maciel, ginecologista e obstetra, mestre em Saúde da Criança e da Mulher, a recomendação é não fumar e evitar ambientes com fumaça durante toda a gestação.
“Não é possível estabelecer um número de cigarros por dia, uma frequência de uso do cigarro eletrônico ou um tempo de exposição à fumaça abaixo do qual possamos garantir ausência de riscos para a gestante e para o bebê”, afirma.
No cigarro convencional, substâncias como nicotina e monóxido de carbono podem prejudicar a chegada de oxigênio e nutrientes ao feto. “A nicotina provoca vasoconstrição e pode comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário. Já o monóxido de carbono reduz a disponibilidade de oxigênio”, explica.
O tabagismo durante a gravidez está associado a maior risco de alterações placentárias, restrição do crescimento fetal, baixo peso ao nascer, prematuridade e morte fetal. Embora alguns riscos aumentem conforme a quantidade de cigarros consumidos, isso não significa que fumar pouco seja seguro.
“Algumas mulheres que fumavam antes da gravidez apenas diminuem o número de cigarros ao descobrirem a gestação e acreditam que dois ou três por dia não terão repercussão. Do ponto de vista médico, não conseguimos estabelecer esse limite de segurança”, alerta Gisele. Segundo ela, reduzir o consumo pode ser uma etapa para a cessação, mas a meta deve ser parar completamente.
O cigarro eletrônico também não é considerado uma alternativa segura durante a gestação. “Com os cigarros eletrônicos existe um problema adicional: a falsa percepção de que seriam apenas ‘vapor de água’ ou uma alternativa inofensiva ao cigarro convencional. Não são”, afirma.
O vape produz um aerossol que pode conter nicotina, partículas ultrafinas e outras substâncias químicas. A nicotina atravessa a placenta e pode interferir no desenvolvimento fetal, inclusive do sistema nervoso. Até produtos vendidos como “sem nicotina” não devem ser considerados seguros, segundo a especialista.
O fumo passivo também representa risco para a gestante e o bebê. “A gestante não precisa fumar para ser exposta às substâncias tóxicas presentes na fumaça do cigarro”, diz Gisele. A exposição durante a gravidez está associada a menor peso ao nascer, alterações do crescimento fetal e maior risco de natimortalidade.
Por isso, medidas como fumar na janela, em outro cômodo ou a poucos metros da gestante não são suficientes. “Casa e carro devem ser ambientes completamente livres de fumaça.” A médica reforça ainda que a orientação deve ser feita sem culpabilizar a gestante, já que a dependência de nicotina pode dificultar a interrupção do hábito.
“Na gravidez, reduzir a exposição já representa um avanço, mas a meta deve ser zerá-la. Isso vale para o cigarro convencional, para o vape e para a fumaça produzida por outras pessoas”, conclui.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



