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Anitta usa patch para espinha e levanta dúvidas: adesivo de hidrocoloide realmente funciona?

Dermatologista explica como o patch age, quais tipos de acne podem se beneficiar do produto e os cuidados para evitar irritações, manchas e cicatrizes

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Anitta apareceu usando patch
Anitta apareceu usando patch • Reprodução/Instagram

Anitta apareceu nas redes sociais usando um pequeno adesivo no rosto para cobrir uma espinha e acabou levantando uma dúvida entre os seguidores: o patch de hidrocoloide realmente funciona para acne? O produto, que se tornou popular nas redes sociais e ganhou espaço nas rotinas de skincare, pode ser um aliado em alguns casos, mas não substitui o tratamento dermatológico.

Segundo o dermatologista mineiro Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e fundador da Clínica Lucas Miranda, em Belo Horizonte, o patch pode ser recomendado por especialistas como um recurso complementar para determinadas lesões de acne.

“O patch hidrocoloide pode ser recomendado por dermatologistas como um recurso complementar no cuidado de algumas lesões de acne. Ele não substitui o tratamento dermatológico quando há acne persistente, inflamatória ou com risco de cicatrizes”, explica Lucas Miranda.

Como funciona o patch de hidrocoloide para espinha?

O hidrocoloide é um material absorvente que, ao entrar em contato com a secreção da lesão, forma um gel e mantém a região protegida. De acordo com Lucas Miranda, o produto pode absorver parte do exsudato em espinhas mais superficiais, especialmente quando já existe conteúdo ou drenagem.

É por isso que o adesivo pode ficar esbranquiçado depois de algumas horas de uso. O dermatologista ressalta, porém, que essa mudança não significa que o produto esteja “retirando” a espinha.

“É importante esclarecer que ele não ‘puxa’ toda a espinha para fora nem trata, sozinho, os mecanismos que causam a acne, como obstrução dos poros, produção de sebo e inflamação”, afirma.

Patch ajuda a evitar espremer a espinha

Além da ação sobre a lesão, o adesivo pode ter uma função importante para quem costuma tocar ou espremer as espinhas. Lucas Miranda explica que o produto cria uma barreira física entre as mãos e a pele, ajudando a reduzir a manipulação.

“O patch cria uma barreira física que reduz o contato das mãos com a espinha, ajudando a evitar o hábito de manipular ou espremer a região”, destaca.

O dermatologista alerta que mexer na espinha pode piorar a inflamação e aumentar o risco de marcas permanentes na pele.

Quais espinhas podem ser tratadas com patch?

O patch de hidrocoloide tende a ser mais útil em espinhas superficiais, principalmente pústulas com conteúdo visível ou lesões que já foram abertas e apresentam pequena quantidade de secreção.

Segundo Lucas Miranda, o cenário é diferente quando se trata de lesões profundas. Em casos de nódulos e cistos, que costumam ser dolorosos e não apresentam conteúdo na superfície da pele, o benefício do adesivo tende a ser limitado.

“Nas lesões profundas, dolorosas e sem conteúdo superficial, como nódulos e cistos, o benefício costuma ser limitado”, explica o médico.

Já pessoas que apresentam muitas lesões, acne recorrente ou que estejam desenvolvendo manchas e cicatrizes devem procurar avaliação dermatológica. Nesses casos, Lucas Miranda ressalta que é necessário estabelecer um tratamento para a acne como um todo, e não apenas para cada espinha individualmente.

Como usar o patch de espinha corretamente?

Para reduzir o risco de irritações, Lucas Miranda recomenda aplicar o adesivo sobre a pele limpa e completamente seca, sempre respeitando o tempo de permanência indicado pelo fabricante.

A região não deve estar coberta por cremes, ácidos ou outros produtos que possam prejudicar a aderência ou aumentar a irritação. Também é importante higienizar as mãos antes da aplicação e da retirada e não reutilizar o adesivo.

“Caso surjam ardor intenso, coceira, vermelhidão persistente ou irritação no formato do adesivo, o uso deve ser interrompido”, orienta.

O dermatologista também chama atenção para a composição de alguns produtos disponíveis no mercado. Há patches que, além do hidrocoloide, possuem ativos como ácido salicílico. Nesses casos, é necessário considerar também o potencial irritativo dessas substâncias.

Patch de hidrocoloide pode causar manchas?

De maneira geral, o hidrocoloide costuma ser bem tolerado quando utilizado corretamente. Segundo Lucas Miranda, os principais problemas estão relacionados à irritação provocada pelo adesivo, à sensibilidade aos componentes do produto, ao uso prolongado ou à aplicação sobre uma pele que já esteja sensibilizada.

O patch não costuma provocar manchas diretamente. No entanto, uma dermatite ou inflamação causada pelo uso inadequado pode favorecer a hiperpigmentação pós-inflamatória, principalmente em pessoas com maior predisposição.

“A mancha geralmente não é causada diretamente pelo hidrocoloide, mas uma dermatite ou inflamação provocada pelo uso inadequado pode favorecer a hiperpigmentação pós-inflamatória”, explica o dermatologista.

Outro cuidado importante é não manipular a espinha antes de colocar o adesivo. Segundo Lucas Miranda, espremer ou cutucar a lesão aumenta a inflamação e, consequentemente, o risco de manchas e cicatrizes.

“Manipular a espinha antes de colocar o patch também aumenta a inflamação e, consequentemente, o risco de manchas e cicatrizes”, alerta.

A exposição ao sol também merece atenção. Em casos de inflamação ou manchas, Lucas Miranda reforça a importância da fotoproteção adequada para evitar o agravamento da hiperpigmentação.

Patch substitui o tratamento da acne?

Apesar de ser conveniente para uma lesão pontual, o patch de hidrocoloide não deve ser encarado como um tratamento completo para acne. O produto pode proteger uma espinha, absorver secreções e ajudar a evitar a manipulação, mas não necessariamente impede o surgimento de novas lesões.

“A acne é uma condição dermatológica multifatorial e, dependendo de sua intensidade, pode exigir medicamentos tópicos, tratamentos sistêmicos ou outras abordagens individualizadas”, explica Lucas Miranda.

O dermatologista recomenda atenção especial a espinhas profundas, dolorosas e recorrentes, além de quadros que estejam deixando manchas ou cicatrizes.

“Nesses casos, controlar a doença de base é mais importante do que tratar cada lesão isoladamente”, conclui Lucas Miranda.

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André Viana é jornalista, formado pela PUC-MG. Já trabalhou como redator e revisor de textos, produtor de pautas e conteúdos para rádio e TV, social media, além de uma temporada no marketing.

 

 

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