Doença de Lito Sousa: neurologista explica urgência por tratamento experimental
Lito foi diagnosticado com Creutzfeldt-Jakob (DCJ), doença neurológica rara, degenerativa e de rápida evolução

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) é uma condição neurológica rara, degenerativa e de rápida evolução, sem cura. A condição causa perda progressiva de funções neurológicas, levando o paciente a perder a capacidade de andar, comer, falar e realizar atividades básicas do cotidiano.
Este é o caso de Lito Sousa, do canal Aviões e Música, diagnosticado com a doença. Desde então, a esposa dele, Mila Seidl, intercede para que o marido consiga um tratamento alternativo ao participar de pesquisas sobre Creutzfeldt-Jakob.
O neurologista Henrique Freitas, coordenador de neurologia da rede Mater Dei, explica por que os testes experimentais poderiam ajudar no quadro de Lito e a urgência do caso.
“A gente não tem um tratamento que paralise a doença. O que a gente tem são terapias experimentais que estão em curso, e a gente vê uma mobilização das pessoas se esforçando para colocá-lo em grupos de estudo, de tentar que o Ministério da Saúde interfira para conseguir um tratamento. Isso tudo é muito difícil porque ainda não existe um tratamento que seja comercializável, a pesquisa é muito rígida”, destaca o especialista em participação no programa Acir Antão, da Itatiaia, nesta sexta-feira (28).
A urgência para iniciar o tratamento com terapias experimentais deve-se à rápida progressão da doença. “Geralmente, ela leva ao óbito em um ano. Claro que a gente tem casos com apresentações atípicas que mudam mais, em que a gente tem uma duração maior de doença. Não ter um tratamento para a doença não significa que o paciente não vai ser tratado. A gente trata os sintomas, oferecendo conforto. É um tratamento focado em qualidade de vida, paliativo, mas muito importante”, afirma o médico.
O que é a doença de Creutzfeldt-Jakob
O neurologista explicou o que é Creutzfeldt-Jakob e destaca tratar-se de doença priônica. “O príon, ele é uma proteína. Uma proteína infectante, diferente de outras doenças que são, por exemplo, provocadas por vírus, bactérias, ou então processos degenerativos vasculares. A doença priônica é uma proteína do próprio organismo que, por algum motivo, muda a conformação. E essa mudança de conformação começa a mudar a conformação das outras proteínas e gera degeneração. Então, é uma proteína infectante”, esclarece.
A doença faz parte do grupo das demências de rápida progressão e pode ser confundida com outros quadros neurológicos. “Os sintomas mais comuns são alterações neuropsiquiátricas, ou seja, alterações comportamentais, da memória, da cognição, da fala, que progridem rapidamente, mas que podem ter vários sintomas dependendo das áreas que são acometidas - desde alterações visuais a alterações motoras. Mas o marco inicial geralmente é um quadro de demência rapidamente progressiva”, afirma o neurologista.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



