Adriana Araújo: neurologista explica por que o aneurisma cerebral pode ter até 50% de risco de morte
Especialista Guilherme Cunha M. Santos detalha causas, sintomas e riscos do aneurisma cerebral, que pode evoluir rapidamente após a ruptura

Com a notícia de que a belo-horizontina Adriana Araújo, uma das maiores sambistas de Minas Gerais, morreu nessa segunda-feira (3) após sofrer um aneurisma cerebral, surgiram muitas dúvidas sobre o que é essa alteração em um vaso sanguíneo e por que ela pode ser tão grave.
Para esclarecer o tema, a Itatiaia conversou com o neurologista Guilherme Cunha M. Santos, que explicou como é feito o diagnóstico, quais são as causas, os sintomas e as formas de tratamento.
Segundo o especialista, o maior risco do aneurisma está na possibilidade de ruptura. Quando isso acontece, o quadro pode se agravar rapidamente. “Quando ocorre a ruptura do aneurisma, há um sangramento súbito dentro do crânio. Isso provoca aumento rápido da pressão na cabeça, reduz o fluxo de sangue para o cérebro e causa lesão direta no tecido cerebral”, disse, destacando que se trata de uma das emergências neurológicas mais graves.
Ainda de acordo com o neurologista, a taxa de mortalidade é alta: aproximadamente 30% a 50% dos pacientes podem morrer, e muitos dos sobreviventes ficam com sequelas neurológicas importantes.
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De forma geral, sem comentar detalhes específicos do caso de Adriana, o especialista afirma que, quando há relato de desmaio súbito em casa, como foi o caso da sambista, a hemorragia cerebral extensa e coma profundo pode ser uma evolução possível nos casos dessa ruptura de aneurisma.
"Em algumas situações, o sangramento é tão volumoso que provoca destruição de áreas vitais do cérebro, edema cerebral maciço e até herniação cerebral, que é a compressão de estruturas fundamentais como o tronco encefálico”, disse.
Ele explica que o cérebro fica dentro do crânio, que é uma estrutura rígida e sem espaço extra. Quando entra uma grande quantidade de sangue, a pressão aumenta rapidamente. O cérebro passa a ser comprimido, e áreas responsáveis pela consciência, respiração e controle dos batimentos cardíacos podem ser afetadas.
Na nota emitida pela família de Adriana no domingo, o quadro já era considerado irreversível. “Do ponto de vista médico, 'irreversível' significa que houve lesão estrutural extensa, destruição de tecido cerebral e comprometimento de centros vitais, sem atividade neurológica compatível com recuperação funcional. Em alguns casos, pode evoluir para coma profundo sem resposta, estado vegetativo ou até morte encefálica”, explicou.
Primeiro, o que é aneurisma?
De acordo com o neurologista, um aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, como se fosse uma ‘bolha’ que se forma na parede do vaso sanguíneo.
''Isso acontece porque a parede da artéria fica enfraquecida e, com a pressão do sangue ao longo do tempo, essa área fragilizada pode crescer. O grande risco é que, em alguns casos, essa dilatação pode se romper, provocando um sangramento grave”.
Ele explica que os tipos mais comuns são o aneurisma cerebral, que ocorre nas artérias do cérebro; o aneurisma da aorta abdominal, que acomete a principal artéria do corpo na região do abdômen; e o aneurisma da aorta torácica, localizado na parte da aorta que passa pelo tórax.
Fatores de risco
Segundo o especialista, não existe uma causa única, mas sim um conjunto de fatores de risco. “Os principais são pressão alta, tabagismo — que é um dos fatores mais importantes —, histórico familiar, envelhecimento, aterosclerose e algumas doenças genéticas do tecido conjuntivo.”
Ele ressalta ainda que, no caso dos aneurismas cerebrais, “muitas pessoas convivem com pequenas dilatações sem saber, porque geralmente não causam sintomas. O problema maior acontece quando há ruptura”.
Quando procurar ajuda?
O médico explica que na maioria das vezes, aneurismas que não se romperam não provocam sintomas. ''O quadro se torna extremamente grave quando ocorre a ruptura. O sintoma clássico do aneurisma cerebral rompido é uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, muitas vezes descrita pelo próprio paciente como ‘a pior dor de cabeça da minha vida’”.
O especialista explica que, diante de dor de cabeça súbita, explosiva e diferente de qualquer outra que a pessoa já tenha sentido — especialmente se vier acompanhada de desmaio ou de algum déficit neurológico, como fraqueza em um lado do corpo, fala enrolada ou visão dupla —, o acionamento imediato da emergência é essencial.
Diagnóstico e tratamento
Sobre o tratamento, ele afirma que tudo depende do tamanho, da localização e do risco de ruptura. “No caso dos aneurismas cerebrais, existem duas abordagens principais: a cirurgia aberta, chamada clipagem, e o tratamento endovascular, que é feito por dentro dos vasos, com a colocação de molas ou stents para excluir o aneurisma da circulação.”
Ele destaca ainda que, “quando já houve ruptura, além de tratar o aneurisma em si, é necessário controlar a pressão intracraniana, prevenir complicações como o vasoespasmo — que é a contração das artérias cerebrais — e manter o paciente sob cuidados intensivos em UTI”.
Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.



