Obesidade também pode ser sinal de desnutrição infantil, alerta especialista
Comer muito não é sinônimo de comer bem e estar nutrido, alerta pediatra

Mesmo comendo com frequência, crianças podem estar desnutridas. Isso porque estar bem alimentado é diferente de estar bem nutrido. A pediatra e coordenadora do serviço de pediatria da Rede Mater Dei, Ana Carolina Baeta, explica essa diferença.
"Estar bem alimentado é simplesmente não ter fome, estar saciado, mesmo que você tenha passado o dia comendo apenas carboidratos. Já estar bem nutrido é ter acesso ao consumo de alimentos ricos em micronutrientes, como vitaminas, minerais, proteínas e óleos essenciais. Isso é o diferencial para a saúde da criança; não adianta passar o dia comendo pão e não sentir fome", afirma a médica em participação no programa Rádio Vivo, da Itatiaia, nesta quinta-feira (25).
Ela lista sinais que indicam desnutrição na criança. “Os principais sinais são a obesidade, baixo peso, baixa estatura ou crianças que apresentam com frequência queda de cabelo, unhas fracas e apatia. A anemia, por exemplo, leva a essa apatia e palidez, além de causar uma queda no desenvolvimento cognitivo”.
Alimentos ricos em sódio ou açúcar devem ser evitados, principalmente na infância. “O excesso de açúcar leva diretamente à obesidade e aumenta o risco de diabetes e mudanças no metabolismo. Além disso, causa uma "concorrência desleal" ou perversão do paladar. O mesmo ocorre com o excesso de sal, presente principalmente nos ultraprocessados. Uma criança acostumada com esses sabores terá muita dificuldade em aceitar um brócolis, uma cenoura ou um tomate, pois suas papilas gustativas estão pervertidas”, ressalta a Dra. Ana Carolina Baeta.
Ela explica como "ensinar" a alimentação correta para crianças. "A primeira coisa é estar atento à introdução alimentar, que ocorre entre os 6 meses e 1 ano de idade. É preciso ter constância e repetição: os estudos mostram que devemos oferecer um alimento de 10 a 15 vezes antes de dizer que a criança não gosta dele. Além disso, é fundamental o exemplo em casa; não adianta pedir para o filho comer um prato colorido se não houver esse hábito na família."
A má alimentação na infância pode causar impactos para a vida toda. "Existem consequências reais, principalmente em relação ao ganho de estatura (risco de ficar menor quando adulto) e à formação cognitiva. O que fazemos nos primeiros 2.000 dias de vida (até os 5 anos) impacta o metabolismo e a saúde da criança para toda a vida adulta".
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



