O que é aneurisma cerebral? Entenda diagnóstico de Adriana Araújo, internada em estado grave em BH

Após internação da sambista Adriana Araújo, o neurologista Guilherme Cunha M. Santos explica como a alteração no vaso sanguíneo pode se desenvolver e quais são os riscos

Sambista Adriana Araújo sofre hemorragia cerebral e permanece em coma em BH

Com a notícia de que a belo-horizontina Adriana Araújo, uma das maiores sambistas de Minas Gerais, está internada em estado gravíssimo após sofrer um aneurisma cerebral na noite desse sábado (29), surgiram muitas dúvidas sobre o que é essa alteração em um vaso sanguíneo.

A Itatiaia conversou com o neurologista Guilherme Cunha M. Santos, que explicou como é feito o diagnóstico, quais são as causas e as formas de tratamento.

O que é um aneurisma?

R: Um aneurisma é uma dilatação anormal de uma artéria, como se fosse uma “bolha” que se forma na parede do vaso sanguíneo. Isso acontece porque a parede da artéria fica enfraquecida e, com a pressão do sangue ao longo do tempo, essa área fragilizada pode crescer. O grande risco é que, em alguns casos, essa dilatação pode se romper, provocando um sangramento grave.

Os tipos mais comuns são o aneurisma cerebral, que ocorre nas artérias do cérebro; o aneurisma da aorta abdominal, que acomete a principal artéria do corpo na região do abdômen; e o aneurisma da aorta torácica, localizado na parte da aorta que passa pelo tórax.

O que causa um aneurisma?

R: Não existe uma causa única, mas sim um conjunto de fatores de risco. Os principais são pressão alta, tabagismo — que é um dos fatores mais importantes — histórico familiar, envelhecimento, aterosclerose e algumas doenças genéticas do tecido conjuntivo. No caso dos aneurismas cerebrais, muitas pessoas convivem com pequenas dilatações sem saber, porque geralmente não causam sintomas. O problema maior acontece quando há ruptura.

Quais são os principais sintomas?

R: Na maioria das vezes, aneurismas que não se romperam não provocam sintomas. O quadro se torna extremamente grave quando ocorre a ruptura. O sintoma clássico do aneurisma cerebral rompido é uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, muitas vezes descrita pelo próprio paciente como “a pior dor de cabeça da minha vida”. Essa dor pode vir acompanhada de náuseas, vômitos, rigidez no pescoço, sensibilidade à luz, confusão mental, convulsões e até perda de consciência.

Quando procurar atendimento médico?

R: Trata-se de uma emergência médica sempre que houver dor de cabeça súbita, explosiva, diferente de qualquer outra que a pessoa já tenha sentido, especialmente se vier acompanhada de desmaio ou de algum déficit neurológico, como fraqueza em um lado do corpo, fala enrolada ou visão dupla. Nesses casos, é fundamental procurar atendimento imediatamente.

O que indica que o aneurisma pode ter se rompido?

R: Os sinais mais típicos são dor de cabeça abrupta e violenta, desmaio, convulsões, paralisia ou coma. Quando isso acontece, chamamos de hemorragia subaracnóidea, que é um tipo grave de sangramento cerebral. Ela é conhecida como “a pior dor da vida” porque o sangramento ocorre de forma súbita dentro do crânio, causando aumento brusco da pressão intracraniana e irritação das membranas que envolvem o cérebro.

Quem tem mais risco de desenvolver aneurisma?

R: Têm maior risco pessoas com pressão alta, fumantes, indivíduos com histórico familiar de aneurisma, mulheres — que apresentam uma incidência ligeiramente maior —, pessoas acima dos 40 ou 50 anos e portadores de algumas doenças genéticas raras.

Como é feito o diagnóstico?

R: Na emergência, o primeiro exame geralmente é a tomografia de crânio. Dependendo do caso, podem ser feitos exames complementares como angiotomografia, ressonância magnética ou angiografia cerebral, que é o exame mais detalhado para estudar os vasos sanguíneos. Muitas vezes o diagnóstico acontece somente após o rompimento, justamente porque antes disso o aneurisma pode não dar nenhum sintoma.

Quais são as opções de tratamento?

R: O tratamento depende do tamanho, da localização e do risco de ruptura. No caso dos aneurismas cerebrais, existem duas abordagens principais: a cirurgia aberta, chamada clipagem, e o tratamento endovascular, que é feito por dentro dos vasos, com colocação de molas ou stents para excluir o aneurisma da circulação.

Quando já houve ruptura, além de tratar o aneurisma em si, é necessário controlar a pressão intracraniana, prevenir complicações como o vasoespasmo — que é a contração das artérias cerebrais — e manter o paciente sob cuidados intensivos em UTI.

O que acontece quando um aneurisma se rompe?

R: Quando ocorre a ruptura, há um sangramento súbito dentro do crânio. Isso provoca aumento rápido da pressão intracraniana, redução do fluxo sanguíneo para o cérebro e lesão direta do tecido cerebral. É uma das emergências neurológicas mais graves que existem.

A taxa de mortalidade é alta: aproximadamente 30% a 50% dos pacientes podem evoluir para óbito, e muitos dos sobreviventes ficam com sequelas neurológicas importantes.

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O que se sabe sobre o estado de saúde

Segundo o comunicado nas redes sociais desse domingo (1º), Adriana passou mal em casa, desmaiou e foi levada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Em seguida, ela foi transferida para o Hospital Odilon Behrens, onde passou por exames.

“Após a realização de exames, foi constatado um aneurisma cerebral, que provocou uma hemorragia de grande extensão. Desde então, Adriana encontra-se internada em coma, entubada e sob cuidados intensivos da equipe médica”, informou.

De acordo com a equipe médica, o quadro é considerado “gravíssimo e irreversível”.

Quem é Adriana Araújo

Nascida em 1976 na Pedreira Prado Lopes (PPL), na Região Noroeste de Belo Horizonte, Adriana Araújo se tornou uma das principais referências do samba na capital e como um dos grandes expoentes do gênero em Minas Gerais.

Mãe, mulher negra, cantora e compositora, demonstrou desde cedo, ainda na infância, a paixão pela música.

Ao lado do sambista Evaldo Araújo, integrou o grupo Simplicidade Samba. As apresentações na tradicional roda de samba realizada aos domingos no Bar do Cacá, no bairro São Paulo, na região Nordeste da capital, fazem muito sucesso.

Formou-se em jornalismo pela PUC Minas e trabalhou como repórter do caderno de Gerais do jornal Estado de Minas. Na Itatiaia, cobre principalmente Cidades, Brasil e Mundo.

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