Novo comprimido contra obesidade da AstraZeneca apresenta resultados promissores
Elecoglipron atinge perda de peso de até 11,8% em testes de fase intermediária e prepara laboratório britânico para acirrar disputa em mercado bilionário

A corrida pela liderança no mercado de tratamentos contra a obesidade ganhou um novo capítulo nessa segunda-feira (8). Um estudo de fase intermediária publicado na prestigiada revista médica The Lancet revelou que o elecoglipron, comprimido oral desenvolvido pela gigante britânica AstraZeneca, promove uma redução de peso comparável às principais versões já existentes no mercado.
Classificado como um agonista dos receptores de GLP-1, mesma família de medicamentos que revolucionou o setor por reduzir o apetite e desacelerar a digestão, o fármaco se destaca pela praticidade de ser administrado via oral, em uma única dose diária, dispensando as tradicionais injeções subcutâneas.
Desempenho e eficácia nos testes
O estudo randomizado foi realizado com 310 participantes adultos que sofrem de obesidade ou sobrepeso (sem diabetes). Os resultados apontaram uma evolução consistente ao longo do tratamento com a dose mais alta:
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Em 26 semanas (6 meses): redução média de até 10,5% do peso corporal.
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Em 36 semanas (9 meses): redução média de até 11,8% do peso corporal.
"A magnitude da perda de peso observada com o elecoglipron neste estudo é comparável, em termos gerais, aos resultados relatados com outros agonistas orais", destacou a pesquisadora Marie Spreckley, especialista em obesidade da Universidade de Cambridge.
Próximos passos e segurança
Em termos de segurança, o perfil de tolerância do medicamento ficou dentro do esperado para a classe dos GLP-1, que costumam apresentar efeitos colaterais majoritariamente gastrointestinais leves a moderados.
Embora o cenário seja animador, os cientistas reforçam a necessidade de cautela. O avanço para testes de Fase 3, que envolvem milhares de pacientes, será fundamental antes do pedido de registro definitivo.
"Serão necessários testes mais amplos e de maior duração para confirmar a persistência desses efeitos, estabelecer a segurança a longo prazo e determinar o lugar desse tratamento dentro da gama crescente de terapias", explicou Spreckley.
A disputa pelo mercado bilionário
O sucesso do elecoglipron consolidará a entrada da AstraZeneca em um dos setores mais cobiçados e lucrativos da indústria farmacêutica atual. Hoje, o mercado é dominado pela dinamarquesa Novo Nordisk e pela norte-americana Eli Lilly, que já possuem suas versões orais aprovadas em grandes centros de saúde:
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Eli Lilly: o orforglipron (princípio ativo do Mounjaro) foi aprovado em abril nos Estados Unidos sob o nome comercial de Foundayo.
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Novo Nordisk: a versão em comprimido do Wegovy já é comercializada nos EUA e recebeu o aval das autoridades de saúde da União Europeia em maio deste ano.
*Com informações da AFP
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