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Uso intenso das redes sociais pode agravar sofrimento emocional em adolescentes

Psiquiatra alerta para sinais de depressão e ansiedade e fala sobre tempo de tela elevado

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Adolescentes que passam seis horas por dia ou mais nas redes sociais apresentam duas vezes mais chances de desenvolver sintomas de ansiedade e três vezes mais chances de apresentar ideação suicida quando comparados àqueles que passam menos de uma hora por dia nessas plataformas. Os dados foram detalhados por pesquisadores da UTHealth Houston, nos Estados Unidos.

"Isso não significa que as redes sociais sejam, por si só, a causa desses quadros, mas elas podem funcionar como um fator que intensifica vulnerabilidades já existentes", aponta Jaqueline Bifano, psiquiatra da infância e adolescência. Segundo ela, atualmente, as redes sociais participam cada vez mais da construção da identidade e das relações dos jovens.

"O problema não está apenas no tempo de tela. É preciso olhar para a qualidade dessa experiência. Um adolescente que passa horas exposto a comparações constantes, padrões irreais de beleza, discursos de ódio, cyberbullying ou conteúdos que reforçam desesperança está submetido a uma carga emocional que pode ser muito difícil de elaborar”, alerta a médica.

Além disso, o tempo de tela elevado está associado a noites de sono menores, à falta de atividade física e à redução do convívio familiar e das interações presenciais. Esses fatores, segundo a psiquiatra, são essenciais para a proteção da saúde mental.

“Não se trata de demonizar a tecnologia nem de defender uma proibição absoluta, mas de reconhecer que existe um limite a partir do qual o uso deixa de ser saudável e pode sinalizar um sofrimento que precisa ser acolhido. Muitas vezes, o excesso de tempo nas redes não é a origem do problema, mas um sintoma de isolamento, de dificuldades emocionais ou da tentativa de escapar de uma realidade dolorosa”, afirma Jaqueline Bifano.

A prevenção, por parte da família, ocorre por meio do diálogo, observação atenta e construção de uma relação de confiança. “Mudanças bruscas de comportamento, perda de interesse por atividades antes prazerosas, isolamento progressivo e alterações importantes no padrão de uso das redes merecem atenção. O adolescente precisa encontrar adultos disponíveis para escutá-lo sem julgamentos e ambientes onde possa falar sobre suas angústias com segurança”.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

 

 

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