Fake news sobre saúde podem levar idosos a abandonar tratamentos, alerta geriatra
Médico dá dicas para proteger idosos de informações falsas na internet

As redes sociais estão repletas de notícias falsas sobre saúde, e os idosos estão entre o público mais vulnerável, devido à falta de familiaridade digital. Além disso, pessoas com mais de 65 anos são mais propensas a divulgar fake news, segundo estudo publicado pela revista científica Science Advances.
“Isso é um problema corriqueiro no nosso dia a dia. Frequentemente os pacientes trazem informações para conferir se procedem, mas o pior são os que não trazem e acabam levando para a vida informações que podem trazer prejuízos”, afirma o geriatra Tércio Silva Ferreira em participação no programa Acir Antão, da Itatiaia, nesta quinta-feira (30).
Também há conteúdos em que a venda está implícita no meio de informações como alimentos que ajudam no controle da pressão arterial e suplementos para melhora da saúde no geral, por exemplo. “É uma lógica de marketing aplicada à saúde. Eles tomam um tempo enorme da pessoa para, no fim, vender uma cura milagrosa ou procedimento sem nenhuma comprovação científica”, alerta o médico.
O principal risco, segundo o especialista, é o abandono de tratamentos que são realmente eficazes. “A pessoa deixa de lado o tratamento comprovado para cardiopatia ou diabetes em favor de algo dito "natural", mas que não é necessariamente inofensivo por ser natural”.
As notícias falsas e propagandas enganosas estão, principalmente, nos vídeos gerados por inteligência artificial (IA). "Com a inteligência artificial avançando, os vídeos e áudios estão cada vez mais convincentes. Mas há sinais: o vídeo de IA tem um certo estereótipo, com olhar fixo e voz com prosódia pobre (sem articulação natural). Além disso, é preciso checar no site do CFM (Conselho Federal de Medicina) se aquela pessoa realmente é médica", orienta o geriatra.
“Primeiro: não compre nada antes de conferir e discutir com o médico de confiança. Segundo: não compartilhe sem conhecer a fonte. E terceiro: não deixe que as coisas digitais substituam a avaliação médica presencial”, completa.
Quanto aos familiares do idoso, cabe a responsabilidade de olhar com atenção: “Participar da vida um do outro com respeito, sem ser paternalista ou querer ser pai do idoso. É ter uma relação de amizade e fraternidade para poder alertar: ‘Isso parece falso, vamos conferir com o médico?’".
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



