O fim de ano é tempo de retrospectivas e flexões, enquanto o início é focado em novas metas e recomeços. E, no meio de tudo isso, é necessário cuidar da saúde emocional, como alerta a campanha Janeiro Branco, de conscientização sobre a importância da saúde mental e emocional.
Os sinais de negligência emocional são sutis e podem ser ignorados em meio à rotina corrida, conforme alerta o professor de psicologia e supervisor do Núcleo de Apoio Psicopedagógico e Inclusão da Faseh, Welder Vicente.
“Em alguns casos, o sofrimento emocional se manifesta por meio de sintomas físicos, como dores de cabeça, tensão muscular, problemas gastrointestinais e taquicardia sem causa clínica evidente. O principal sinal de alerta é quando essas dificuldades começam a comprometer o desempenho no trabalho, nos estudos, nas relações e no autocuidado”, destacou. Irritabilidade frequente, baixa tolerância à frustração, alterações persistentes no sono, cansaço constante, desânimo e dificuldade de concentração também são sinais que não devem ser ignorados.
No começo do ano, com a empolgação com mudanças e vida nova, a autocobrança é intensificada, principalmente devido a metas rígidas e comparação nas redes sociais.
“Muitas pessoas comparam seus bastidores com o palco editado do outro. Isso afeta a autoestima e aumenta o estresse”, afirmou o especialista.
O ideal é impor metas realistas, flexíveis e alinhadas aos valores pessoais, uma vez que podem contribuir para o bem-estar.
O acúmulo de estresse do ano anterior também pode influenciar no equilíbrio emocional, causando estresse, irritabilidade, ansiedade, alterações do sono e queda na imunidade.
Autocuidado é a chave
Vicente ressalta que, para lidar com essa rotina acelerada, o autocuidado deve ser simples, viável e constante.
“Priorizar o sono, fazer pausas curtas ao longo do dia, organizar tarefas com expectativas realistas, estabelecer limites, reduzir a exposição excessiva às redes sociais, manter vínculos afetivos saudáveis e praticar atividade física, mesmo em pequenas doses, são estratégias eficazes de proteção à saúde mental”, afirmou.
Também é importante buscar ajuda profissional quando o sofrimento emocional se tornar intenso ou persistente.
“Se o custo interno para sustentar o dia a dia está alto demais ou se as estratégias que antes funcionavam deixaram de funcionar, é hora de procurar apoio”, orienta.