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Hantavírus: sobrevivente descreve doença como 'inferno na Terra'

Relatos de pacientes reacendem alerta sobre hantavírus após mortes ligadas à doença durante viagem rumo à Antártida

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Vista geral do navio de cruzeiro MV Hondius atracado ao largo do porto de Praia, capital de Cabo Verde, em 3 de maio de 2026
Surto foi identificado no navio de cruzeiro MV Hondius • AFP

Relatos de sobreviventes do hantavírus estão repercutindo internacionalmente após os casos registrados em um navio de cruzeiro com destino à Antártida. Considerada rara e perigosa, a doença chamou atenção pelas complicações graves enfrentadas pelos pacientes e pelos sintomas que evoluíram rapidamente.

O canadense Lorne Warburton descreveu a experiência como "um inferno na Terra". Segundo ele, em entrevista à rede britânica BBC, tudo começou com sinais parecidos com uma gripe forte, incluindo dores no corpo, fadiga intensa e dificuldades para respirar. Em pouco tempo, o quadro se agravou drasticamente.

"Foi uma tortura", afirmou o sobrevivente ao relembrar os dias em que precisou lutar pela própria vida no hospital.

Warburton passou semanas internado sob cuidados intensivos e precisou de suporte respiratório. Após receber alta, enfrentou uma recuperação longa, que durou mais de um ano. Mesmo depois de sobreviver à infecção, ele revelou ter desenvolvido fibrilação atrial, condição cardíaca que exige acompanhamento médico contínuo.

Depois de sobreviver, Warburton afirmou que passou a enxergar a vida de outra maneira. "Você nunca mais vê as coisas do mesmo jeito depois de passar por algo assim", declarou.

Outro sobrevivente, o alemão Christian Ege, também relatou, à rede estatal britânica, momentos críticos. Segundo ele, os sintomas começaram com mal-estar, tontura e vômitos, mas rapidamente evoluíram para insuficiência renal e sepse.

"Meu corpo simplesmente entrou em colapso", lembrou.

Ege precisou ser levado para a UTI e passou por sessões de diálise durante o tratamento. A recuperação também foi lenta e marcada por sequelas físicas e emocionais.

Os relatos ganharam força após a confirmação de casos ligados ao navio MV Hondius. Autoridades internacionais monitoraram passageiros e tripulantes depois da identificação do vírus Andes, uma variante rara encontrada na América do Sul. Especialistas afirmam que essa cepa é a única conhecida com possibilidade limitada de transmissão entre pessoas em contato próximo.

Apesar da preocupação gerada pelos casos, autoridades de saúde reforçaram que o risco de uma pandemia é considerado baixo. A Organização Mundial da Saúde informou que a situação não representa um cenário semelhante ao da Covid-19.

O hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados. A contaminação costuma acontecer em locais fechados, pouco ventilados ou em áreas rurais. Nos casos mais graves, a doença pode comprometer pulmões, rins e coração.

Atualmente, não existe vacina aprovada nem tratamento antiviral específico contra o hantavírus. O atendimento médico é feito com suporte intensivo para controlar as complicações causadas pela infecção.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.