Dermatologista alerta para os riscos do PMMA após caso de Juliane Massaoka
Médico diz que uso da substância é arriscado e pode causar necrose tecidual

A jornalista Juliane Massaoka, repórter do programa Mais Você, relatou na última semana que, durante a realização de uma rinoplastia, recebeu uma aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato) sem seu consentimento. Ela diz que a substância quase fez com que ela perdesse o nariz.
O médico dermatologista Lucas Miranda explica que, no caso da jornalista, houve uma falha grave. “O PMMA é um preenchedor permanente, cujo uso na face é altamente controverso e restrito, devido ao risco elevado de reações inflamatórias crônicas, formação de nódulos e até necrose tecidual”, explica.
A substância é perigosa porque não é absorvível. "Diferentemente dos preenchedores absorvíveis, como o ácido hialurônico, o PMMA não pode ser revertido facilmente. Isso torna qualquer intercorrência potencialmente mais grave e de difícil manejo. Complicações como obstrução vascular podem comprometer a irrigação sanguínea local, levando à morte do tecido – um quadro que, se não tratado rapidamente, pode evoluir para perdas estruturais significativas", destacou o médico.
Além do perigo de usar a substância, o profissional ressalta que “a aplicação de qualquer substância sem o consentimento explícito do paciente viola princípios fundamentais da prática médica, como autonomia e transparência”.
O dermatologista usa a situação para fazer um alerta: “Esse episódio serve como alerta para a população sobre a importância de compreender exatamente quais produtos estão sendo utilizados, seus efeitos, duração e possíveis riscos. A decisão por qualquer intervenção estética deve ser sempre informada, consciente e baseada em uma relação de confiança entre médico e paciente”.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



