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Paraná confirma dois casos de hantavírus e investiga 11 suspeitas

Pacientes são moradores de Pérola d’Oeste e Ponta Grossa; doença ganhou repercussão após mortes registradas em cruzeiro internacional

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Paraná confirma dois casos de hantavírus e investiga outros 11
Paraná confirma dois casos de hantavírus e investiga outros 11 • Foto: SESA

O Governo do Paraná confirmou dois casos de hantavírus nesta sexta-feira (8). Em nota encaminhada à reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que os pacientes são moradores dos municípios de Pérola d’Oeste e Ponta Grossa. Além dos dois casos confirmados, outros 11 seguem em investigação, enquanto 21 notificações já foram descartadas. Os pacientes diagnosticados com a doença são um homem de 34 anos e uma mulher de 28 anos.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, César Neves, a situação está sob controle e a rede de saúde está preparada. "A hantavirose é uma doença monitorada rigorosamente pela Divisão de Vigilância de Zoonoses e Intoxicações da Sesa. Estamos acompanhando de perto e garantimos que os profissionais de saúde estão capacitados para identificar e tratar com rapidez qualquer suspeita da doença", afirmou.

Os casos de hantavírus ganharam repercussão após a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgar mortes relacionadas ao vírus em um cruzeiro que saiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Pelo menos três pessoas morreram durante a viagem.

A primeira vítima foi um holandês de 70 anos, que morreu a bordo do navio em 11 de abril, em decorrência de insuficiência respiratória. A esposa dele, de 69 anos, desembarcou em Joanesburgo no dia 24 de abril e morreu um dia depois.

Entre os passageiros do cruzeiro que morreram, ela é a única com diagnóstico confirmado de hantavírus. O terceiro óbito registrado foi de um alemão, que morreu a bordo do navio, no dia 2 de maio. Até agora, há cinco passageiros com diagnóstico positivo para hantavírus.

Um novo caso suspeito de hantavírus também foi identificado nesta sexta (8) na ilha de Tristan da Cunha, no Atlântico Sul, segundo as autoridades de saúde do Reino Unido. O local é considerado o território habitado mais remoto do mundo e foi uma das paradas do cruzeiro MV Hondius. O paciente sob suspeita é um cidadão britânico.

Ainda segundo a OMS, o risco de propagação para a população em geral é "absolutamente baixo". O porta-voz Christian Lindmeier reforçou que "não se trata de uma nova covid".

O hantavírus está associado à síndrome cardiopulmonar, principalmente nas Américas.

O infectologista Leandro Curi explica que se trata de "uma infecção viral transmitida principalmente pelo contato com roedores silvestres infectados, especialmente por meio da inalação de partículas presentes em urina, fezes ou saliva desses animais".

Segundo ele, a doença causa sintomas hemorrágicos devido à queda das plaquetas no sangue, "um mecanismo que também pode ser observado em infecções como dengue, malária e febre amarela".

A síndrome cardiopulmonar relacionada ao vírus acomete principalmente os pulmões e o sistema cardiovascular. Quanto ao tratamento, o infectologista diz que não há tratamento específico para hantavírus.

"O manejo é baseado em medidas de suporte intensivo, especialmente em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso das funções respiratória e cardiovascular."

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), já trabalhou na Record TV e na Rede Minas. Atualmente é repórter multimídia e apresenta o Tá Sabendo no Instagram da Itatiaia.