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Hantavírus: entenda a diferença entre caso em MG e surto em cruzeiro

Caso registrado em Minas ocorreu após contato com roedores silvestres em área rural

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Ministério da Saúde da Argentina mostra um cientista do Instituto Malbran manuseando recipientes usados ​​para diagnosticar o hantavírus andino
Casos de hantavírus em MG não têm relação com surto em cruzeiro • AFP

Minas Gerais registrou uma morte por hantavírus em 2026. A vítima era um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, na região do Alto Paranaíba, que teve contato com roedores silvestres em uma plantação de milho.

O subsecretário de Vigilância em Saúde da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), Eduardo Prosdocimi, destaca que a realidade da doença no Brasil não é a mesma vivenciada no cruzeiro MV Hondius. Ele reforça que a cidade que registrou o óbito por hantavírus tem histórico de transmissão da doença.

Qual a diferença entre o hantavírus em Minas Gerais e a variante identificada no cruzeiro MV Hondius?

O médico infectologista e atual presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Adelino Melo Freire Junior, afirma que “a é o momento, os casos brasileiros registrados em 2026 não têm relação com o episódio do MV Hondius".

Ele explica qual a diferença entre os casos registrados em Minas e na embarcação. “No Brasil, incluindo Minas Gerais, a hantavirose está associada principalmente ao contato com ambientes contaminados por urina, fezes ou saliva de roedores silvestres. A transmissão ocorre, em geral, pela inalação de poeira contaminada. A variante Andes, identificada no episódio do MV Hondius, tem uma particularidade: pode, raramente, ser transmitida de pessoa para pessoa em situações de contato próximo e prolongado. Essa não é a característica dos hantavírus registrados no Brasil.”

Ele reforça que não há motivo para pânico, mas é necessário ter atenção. “A preocupação principal no Brasil continua sendo a exposição a roedores silvestres, especialmente em áreas rurais, galpões, depósitos, plantações e locais com acúmulo de grãos ou entulho”, afirma.

Vale lembrar que o hantavírus não é novidade, pois a doença já era conhecida, com casos registrados no Brasil. "Pode haver aumento em determinados períodos, especialmente quando mudanças climáticas, seca, colheitas ou armazenamento de grãos favorecem a aproximação de roedores dos ambientes humanos", diz o profissional.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.