Hantavírus: doença já era conhecida e transmissão entre pessoas é rara, diz médico
Infectologista destaca que hantavírus é uma doença antiga e casos de transmissão entre pessoas acontecem em cenários específicos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta segunda-feira (11) que há pelo menos sete casos confirmados de hantavírus entre os passageiros do cruzeiro MV Hondius. Trata-se da variante andina, única que permite a transmissão da doença entre humanos.
Apesar da repercussão, a OMS e os especialistas reforçam que não há motivo para pânico. Segundo o Dr. Evaldo Stanislau, médico infectologista e professor na Universidade São Judas, “o hantavírus é uma doença já conhecida, mas bastante incomum e geralmente associada a ambientes rurais, onde há maior contato com roedores. A excepcionalidade desse caso é justamente o contexto de um ambiente confinado, como um navio, e a suspeita de uma transmissão entre pessoas, algo considerado raro”.
As outras variantes do hantavírus são transmitidas por meio do contato com a urina, fezes e saliva de roedores infectados. No caso da variante Andes, a transmissão entre humanos acontece em casos muito específicos, em que há contato próximo e prolongado, cenário observado no cruzeiro.
O professor avalia a possibilidade de uma nova pandemia. “As pessoas naturalmente ficaram mais assustadas após a pandemia de covid-19, mas é importante reforçar que estamos falando de uma doença rara e de transmissão muito limitada. O próprio posicionamento da OMS é de que o risco global segue baixo”, afirma.
Sintomas, tratamento e como prevenir
Os sintomas iniciais costumam aparecer entre uma e oito semanas após a infecção pelo vírus. “Na maioria das vezes, a doença começa com febre, mal-estar, dores no corpo e sintomas inespecíficos. Em uma parcela menor dos casos, pode evoluir para quadros graves, com falta de ar importante, insuficiência respiratória e necessidade de internação intensiva”, lista o infectologista.
Não há tratamento antiviral específico para o hantavírus. O manejo da doença é feito por meio de medidas de suporte intensivo, especialmente em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso das funções respiratória e cardiovascular.
O especialista destaca que a infecção por hantavírus acontece principalmente em áreas rurais, celeiros, depósitos fechados ou ambientes com presença de roedores. Para prevenir, é recomendado:
- Evitar contato com fezes, urina e saliva de roedores
- Manter ambientes limpos e ventilados
- Redobrar os cuidados ao limpar locais fechados por muito tempo
- Utilizar proteção ao manusear áreas possivelmente contaminadas
- Manter vacinas em dia e atenção à saúde antes de viagens
- Evitar viajar com sintomas infecciosos
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



