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Hantavírus: doença já era conhecida e transmissão entre pessoas é rara, diz médico

Infectologista destaca que hantavírus é uma doença antiga e casos de transmissão entre pessoas acontecem em cenários específicos

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This handout picture released by Argentina's Health Ministry shows a scientist from the Malbrán Institute holding a container used to diagnose the Andes hantavirus, which contains RNA from the Andes virus as part of the detection process, in Buenos Aires on May 6, 2026. Argentina has seen an increase in hantavirus cases but not an outbreak, an expert told AFP on May 6, as infections aboard a cruise ship have provoked a global health scare. The MV Hondius set sail from Ushuaia in southern Argentina on April 1 and is currently anchored off the coast of Cape Verde after three passengers died, possibly of hantavirus. (Photo by Handout / ARGENTINE HEALTH MINISTRY / AFP) / XGTY / RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO /Argentina's Health Ministry" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS
Sintomas iniciais costumam aparecer entre uma e oito semanas após a infecção pelo vírus • AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta segunda-feira (11) que há pelo menos sete casos confirmados de hantavírus entre os passageiros do cruzeiro MV Hondius. Trata-se da variante andina, única que permite a transmissão da doença entre humanos.

Apesar da repercussão, a OMS e os especialistas reforçam que não há motivo para pânico. Segundo o Dr. Evaldo Stanislau, médico infectologista e professor na Universidade São Judas, “o hantavírus é uma doença já conhecida, mas bastante incomum e geralmente associada a ambientes rurais, onde há maior contato com roedores. A excepcionalidade desse caso é justamente o contexto de um ambiente confinado, como um navio, e a suspeita de uma transmissão entre pessoas, algo considerado raro”.

As outras variantes do hantavírus são transmitidas por meio do contato com a urina, fezes e saliva de roedores infectados. No caso da variante Andes, a transmissão entre humanos acontece em casos muito específicos, em que há contato próximo e prolongado, cenário observado no cruzeiro.

O professor avalia a possibilidade de uma nova pandemia. “As pessoas naturalmente ficaram mais assustadas após a pandemia de covid-19, mas é importante reforçar que estamos falando de uma doença rara e de transmissão muito limitada. O próprio posicionamento da OMS é de que o risco global segue baixo”, afirma.

Sintomas, tratamento e como prevenir

Os sintomas iniciais costumam aparecer entre uma e oito semanas após a infecção pelo vírus. “Na maioria das vezes, a doença começa com febre, mal-estar, dores no corpo e sintomas inespecíficos. Em uma parcela menor dos casos, pode evoluir para quadros graves, com falta de ar importante, insuficiência respiratória e necessidade de internação intensiva”, lista o infectologista.

Não há tratamento antiviral específico para o hantavírus. O manejo da doença é feito por meio de medidas de suporte intensivo, especialmente em ambiente hospitalar, com monitoramento rigoroso das funções respiratória e cardiovascular.

O especialista destaca que a infecção por hantavírus acontece principalmente em áreas rurais, celeiros, depósitos fechados ou ambientes com presença de roedores. Para prevenir, é recomendado:

  • Evitar contato com fezes, urina e saliva de roedores
  • Manter ambientes limpos e ventilados
  • Redobrar os cuidados ao limpar locais fechados por muito tempo
  • Utilizar proteção ao manusear áreas possivelmente contaminadas
  • Manter vacinas em dia e atenção à saúde antes de viagens
  • Evitar viajar com sintomas infecciosos
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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.