Ameaça silenciosa: infectologista alerta para hantavírus após morte em MG e surto em navio
Doença considerada antiga e conhecida pela ciência, apresenta taxa de letalidade e não possui tratamento específico ou vacina

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou, neste domingo (10), a primeira morte por hantavirose no estado em 2026. Este é, até o momento, o único óbito registrado pela doença no Brasil este ano. O caso acende um alerta para uma enfermidade que, embora antiga e conhecida pela ciência, apresenta taxa de letalidade e não possui tratamento específico ou vacina.
Desde 2013, Minas Gerais já registrou ao menos 49 mortes decorrentes da infecção. Apesar do óbito e de um surto recente registrado em um navio— que resultou em três mortes no exterior —, especialistas tranquilizam a população quanto ao risco de uma disseminação em massa.
Transmissão e riscos
De acordo com Estevão Urbano, diretor da Sociedade Mineira de Infectologia, o hantavírus é transmitido principalmente pelo contato com secreções de roedores silvestres e ratos. "A transmissão ocorre através das fezes, saliva e urina, ou pela inalação da poeira em locais contaminados com esses excrementos", explicou o infectologista à Itatiaia.
Diferente da Covid-19, a transmissão de pessoa para pessoa no caso da hantavirose é considerada extremamente rara. "É muito pouco provável termos a possibilidade de um surto maior ou uma pandemia. A doença precisa desse material contaminado sendo inalado pelo homem", afirmou Urbano.
Sintomas e gravidade
Muitos infectados podem ser assintomáticos ou apresentar quadros leves, semelhantes a uma gripe, com febre alta, dor de cabeça, dores nas articulações e dor atrás dos olhos. No entanto, uma parcela de 20% a 30% dos pacientes evolui para formas sistêmicas graves, comprometendo órgãos vitais como pulmões; rins; fígado e cérebro, o que pode resultar em morte.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não existe uma cura eficaz. O tratamento é majoritariamente de suporte, envolvendo assistência ventilatória (respiradores) e diálise em unidades de terapia intensiva, enquanto o organismo tenta se recuperar. Em casos específicos, médicos podem tentar o uso do antiviral ribavirina, embora sua eficácia seja limitada e dependente da cepa do vírus.
A melhor forma de proteção continua sendo a prevenção:
- Evitar locais fechados e empoeirados onde haja presença de roedores;
- Uso de máscaras ao limpar galpões, paióis ou áreas rurais que ficaram fechadas por muito tempo;
- Higiene rigorosa para evitar a circulação de ratos em áreas residenciais.
"É uma doença grave que acompanhamos há décadas. Precisamos monitorar a evolução dos casos para saber se teremos surtos localizados ou se os registros permanecerão esporádicos, como tem sido o padrão histórico", concluiu o Dr. Estevão Urbano.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde
Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.




