Luta Antimanicomial: entenda como funciona o tratamento psiquiátrico em BH
Médico explica como funciona a rede de atendimento a pacientes psiquiátricos em Belo Horizonte

Em maio, comemora-se o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado no dia 18. O médico generalista João Vitor Nunes, pós-graduado em psiquiatria, falou sobre a data em participação no programa Acir Antão desta segunda-feira (11).
"A ideia da data é tirar o paciente desse contexto de hospitais e de internação prolongada para reinseri-lo na sociedade. Precisamos de um cuidado que seja mais humano, fora do hospital e para além da medicação", reforça o médico.
O profissional explica como funciona a rede de cuidados a esses pacientes após a reforma psiquiátrica. “Hoje, o hospital é para o paciente que não pode estar em sociedade no momento, como em casos de agitação psicomotora grave ou esquizofrenia severa. A política atual é de desospitalização. Para quem não tem mais vínculo familiar, existem as residências terapêuticas”, detalha.
Em alguns casos, o paciente pode recusar aderir ao tratamento. O médico explica como é a abordagem nessa situação. "Tentamos conversar por meio da equipe multidisciplinar. Mas, se o paciente não tem discernimento ou se coloca em risco, temos as possibilidades de medicação, contenção química ou mecânica até que ele recupere a capacidade de tratar melhor."
Tratamento psiquiátrico em Belo Horizonte
O Dr. João Vitor Nunes explica como é feito o tratamento em Belo Horizonte. "Hoje temos a RAPS (Rede de Atenção Psicossocial). Belo Horizonte foi pioneira e conta com os CERSANS, que são equivalentes aos CAPS. Temos o CERSAN para adultos, o CERSAMI para crianças e adolescentes, e o CERSAM AD para álcool e drogas. É uma rede robusta, com equipe multidisciplinar (assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros, técnicos e médicos), para tirar o ser desse lugar de exclusão."
Para pacientes e familiares em busca de tratamento, o profissional indica por onde começar: “A rede de Belo Horizonte é bem capilar. O fluxo começa nos Centros de Saúde, onde há profissionais aptos para o atendimento inicial de saúde mental. Se houver gravidade, a rede faz a transição para o CERSAN, centros de convivência ou, em casos de urgência, para as UPAs e hospitais de referência”.
Assista a entrevista completa
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



