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Fiocruz anuncia produção nacional de remédio para esclerose múltipla

Medicamento de alto custo pode reduzir a lesão neural em dois anos

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Esclerose Múltipla
Doença causa destruição da mielina, que protege os neurônios • Unsplash

O medicamento de alto custo cladribina oral, usado para tratar a esclerose múltipla, passará a ser produzido no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com a produção nacional, a expectativa é de que o remédio fique mais barato e que mais pacientes recebam a medicação.

Comercializado como Mavenclad, o remédio é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2023 para casos de esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). Os pacientes com a condição apresentam surtos frequentes ou progressão rápida da doença.

Atualmente, o custo médio do tratamento com cladribina oral é de cerca de R$ 140 mil em cinco anos, por paciente. O remédio é o primeiro tratamento oral de curta duração, com eficácia prolongada no controle da EMRR.

Um estudo apresentado no 39º Congresso do Comitê Europeu para Tratamento e Investigação em Esclerose Múltipla (ECTRIMS) revelou que os pacientes que fizeram tratamento com o medicamento tiveram a lesão neuronal reduzida em dois anos. Outras pesquisas revelam que 81% deles conseguiram andar sem apoio algum e mais da metade não necessitou de mais nenhum outro medicamento.

Esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crônica, inflamatória, autoimune e neurodegenerativa. Caracteriza-se principalmente pela destruição da mielina, que protege os neurônios. As células de defesa, que são controladas pela ação do remédio, estimulam a inflamação e levam à disfunção neurológica progressiva.

A doença pode se manifestar causando fadiga intensa, fraqueza muscular, alterações no equilíbrio e na coordenação, dores, depressão e problemas no controle urinário e intestinal. Seus efeitos progressivos variam: alguns pacientes apresentam pouca incapacidade ao longo da vida, enquanto outros desenvolvem limitações mais graves.

A causa da doença, considerada rara, ainda não é totalmente compreendida, mas está associada à interação de fatores genéticos e ambientais. Não há cura para a esclerose múltipla, mas o tratamento pode ajudar a controlar a atividade inflamatória e a atrasar a progressão da doença.

A EM ocorre com mais frequência em adultos jovens, entre 20 e 50 anos, com pico de incidência por volta dos 30 anos, e é cerca de duas vezes mais comum em mulheres.

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.