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Peeling de fenol: médico explica nova medida do CFM que autoriza substância

Produtos com fenol foram proibidos pela Anvisa após morte de empresário de São Paulo em 2024

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Homem que morreu em clínica de SP pagou R$ 4.500 por ‘peeling de fenol’ | CNN Brasil
Empresário de 27 anos morreu após fazer peeling de fenol no rosto em clínica estética • CNN Brasil

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nessa sexta-feira (15) uma resolução inédita sobre o uso do fenol em procedimentos terapêuticos, cirúrgicos e estéticos. A substância foi autorizada com limites impostos e estrutura específica para monitorar o paciente durante o processo.

A medida foi tomada após a repercussão do caso do empresário Henrique Chagas, de 27 anos, que morreu em 2024 após realizar um peeling de fenol em uma clínica estética de São Paulo.

Apesar da decisão do CFM, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso do fenol em procedimentos estéticos desde 2024. No Brasil, não há produtos com a substância para procedimentos de peeling regularizados pelo órgão.

O médico dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica em quais casos a substância é usada. "O fenol possui aplicações históricas em diferentes áreas da medicina, incluindo dermatologia, neurologia e tratamento da dor. Durante décadas, foi utilizado em procedimentos específicos, como peelings profundos, devido à sua capacidade de promover renovação intensa da pele. Entretanto, relatos de complicações graves, incluindo intoxicação sistêmica, arritmias cardíacas e até mortes associadas ao uso inadequado em procedimentos estéticos, ampliaram a preocupação das autoridades sanitárias e das sociedades médicas."

O profissional reforça que é preciso diferenciar o uso indiscriminado do fenol das aplicações médicas específicas. A medida do CFM determina que os procedimentos com a substância devem ser feitos em serviços de assistência médica regularizados e inscritos no Conselho Regional de Medicina, com equipamentos de proteção e atendimento de emergência, monitor multiparamétrico e ventilação adequada para reduzir a exposição aos vapores do fenol.

Também é preciso que a substância seja usada com prescrição individualizada, com rastreabilidade e procedência conhecidas. Os médicos responsáveis pelos procedimentos devem ter treinamento atualizado em suporte avançado de vida e capacidade para responder rapidamente a complicações críticas.

"A nova posição do CFM reconhece justamente essa possibilidade de utilização médica em situações específicas e controladas, sem alterar, porém, as restrições sanitárias relacionadas ao uso estético da substância", defende o médico.

Ele cita, porém, que existem alternativas sem a substância que têm a mesma finalidade. "O APhen Peel, técnica que desenvolvi e que já ultrapassa mil aplicações realizadas, é um exemplo dessa evolução. Trata-se de um protocolo autoral de rejuvenescimento intensivo que não contém fenol em sua formulação, desenvolvido justamente com a proposta de oferecer resultados expressivos associados a um perfil de segurança mais moderno e controlado."

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Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.