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Estudo internacional aponta desafios de stents em pacientes com diabetes

Os pesquisadores avaliaram o desempenho do stent Abluminus DES+, desenvolvido com tecnologia mais recente, em comparação ao XIENCE, considerado atualmente o padrão-ouro no tratamento da doença arterial coronariana

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Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet, com participação de pesquisadores do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP, comparou a eficácia de dois stents farmacológicos utilizados em pacientes diabéticos submetidos à angioplastia coronária. O trabalho concluiu que, apesar dos avanços tecnológicos, os resultados clínicos de longo prazo ainda permanecem limitados para pessoas com diabetes.

Os pesquisadores avaliaram o desempenho do stent Abluminus DES+, desenvolvido com tecnologia mais recente, em comparação ao XIENCE, considerado atualmente o padrão-ouro no tratamento da doença arterial coronariana. O estudo acompanhou mais de 3 mil pacientes com diabetes tipo 1 e tipo 2, em 16 países da Europa, América do Sul e Ásia.

Os stents farmacológicos são pequenos tubos metálicos revestidos com medicamentos, implantados em artérias obstruídas para manter o fluxo sanguíneo e reduzir o risco de complicações cardiovasculares, como infarto, AVC e hipertensão.

Durante os dois anos de acompanhamento, o Abluminus DES+ apresentou taxa de falha de 9,7%, enquanto o XIENCE registrou 6,2%. O objetivo da pesquisa era demonstrar que o novo dispositivo teria desempenho equivalente ao tratamento já consolidado, o que não foi alcançado.

A principal inovação do Abluminus DES+ está na combinação entre o stent farmacológico e um balão revestido por medicamento. O dispositivo utiliza sirolimus liberado por um polímero biodegradável tanto na superfície do stent quanto no balão utilizado na dilatação da artéria. Já o XIENCE utiliza everolimus, medicamento empregado há cerca de duas décadas na prática clínica.

Segundo o professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e primeiro autor do estudo, Alexandre Abizaid, os resultados reforçam os desafios no tratamento cardiovascular de pacientes diabéticos.

De acordo com o pesquisador, embora os stents atuais representem uma tecnologia avançada, eles ainda não conseguem eliminar totalmente os riscos cardiovasculares associados ao diabetes. Pacientes diabéticos apresentam maior tendência ao acúmulo de gordura nas artérias, inflamação e reestenose (reestreitamento dos vasos após o procedimento).

O ensaio clínico, denominado Ability Diabetes Global, analisou critérios como necessidade de nova intervenção na mesma artéria e ocorrência de falha da lesão-alvo, que inclui morte cardiovascular, infarto ou repetição do procedimento.

Apesar de o novo stent não ter superado o padrão-ouro, os pesquisadores destacaram a importância de estudos negativos para o avanço científico e para o desenvolvimento de tecnologias futuras voltadas a pacientes diabéticos, grupo considerado de alto risco para doenças cardiovasculares.

Os autores também ressaltaram que não houve diferenças significativas entre os dois dispositivos em relação à mortalidade cardiovascular ou mortalidade geral.

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