A disidrose é uma doença dermatológica caracterizada pelo surgimento de pequenas bolhas cheias de líquido, geralmente nas mãos e nos pés, que provocam coceira intensa e desconforto. Embora não represente risco grave à saúde, a condição pode impactar significativamente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente por afetar áreas visíveis e muito utilizadas no dia a dia.
Segundo o dermatologista Vitor Manoel Silva dos Reis, responsável pelos Ambulatórios de Dermatite de Contato e de Fotobiologia da Divisão de Dermatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e professor da instituição, as lesões aparecem principalmente na superfície palmar das mãos e, em alguns casos, na planta dos pés. “São pequenas vesículas com conteúdo líquido que deixam a pele com aspecto semelhante a sagu, podendo evoluir com descamação e fissuras”, explica.
Apesar do nome sugerir relação com alterações da transpiração, o especialista afirma que a disidrose está associada a mudanças vasculares na pele das extremidades. A doença costuma ser subestimada por não apresentar risco à vida, mas pode causar constrangimento social, coceira intensa e dor, sobretudo quando há rachaduras. Além disso, tende a persistir por longos períodos e apresenta tratamento desafiador.
Fatores associados e tratamento
A causa exata da disidrose ainda é desconhecida, o que dificulta o diagnóstico e o controle da condição. De acordo com Reis, fatores emocionais são frequentemente observados em pacientes e descritos na literatura científica. Outras hipóteses incluem reações de hipersensibilidade relacionadas a micoses ou bactérias presentes nos pés, além de possíveis respostas a medicamentos ou alimentos, embora não haja confirmação de alimentos específicos como causa direta.
O tabagismo também é apontado como um fator associado ao surgimento ou à piora dos sintomas, tanto no uso de cigarros convencionais quanto eletrônicos. “Substâncias presentes nesses produtos podem desencadear ou dificultar a melhora da disidrose”, afirma o médico.
Alguns medicamentos, como penicilina e glifosina, também podem estar relacionados ao aparecimento das lesões. Além disso, alergias a substâncias como níquel e tiazolinona (conservante conhecido como Kathon CG) têm sido observadas em parte dos pacientes. Nesses casos, a redução do contato com os agentes e até dietas restritivas em alimentos ricos em níquel podem contribuir para a melhora do quadro clínico.
Embora não exista uma cura definitiva, a identificação dos fatores desencadeantes e o acompanhamento médico especializado são fundamentais para controlar os sintomas e reduzir as crises.