Botox no pescoço: quem pode fazer e quais são os riscos do procedimento
Procedimento foi aprovado pela Anvisa em junho deste ano e tem como objetivo o efeito 'lifting'

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em junho deste ano, o uso de botox no pescoço para obter efeito "lifting". Assim como no rosto, a substância é usada para eliminar rugas e dar efeito de pele jovem.
“O procedimento tem como objetivo principal promover um efeito de suavização das bandas platismais, aquelas faixas verticais que se tornam mais evidentes com o envelhecimento, e proporcionar um discreto efeito de lifting da região inferior da face e do pescoço”, destaca o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Ele aponta que a técnica já vinha sendo estudada por dermatologistas e utilizada em casos específicos em diversos países. “A aprovação pela Anvisa também oferece maior segurança regulatória tanto para médicos quanto para pacientes, pois amplia oficialmente uma indicação baseada em evidências científicas e em estudos que demonstraram eficácia e perfil de segurança quando o tratamento é realizado com indicação correta, técnica adequada e seleção criteriosa dos pacientes”.
"É importante esclarecer que esse "efeito lifting" não corresponde ao resultado de uma cirurgia. Trata-se de uma melhora sutil, obtida por meio do relaxamento seletivo do músculo platisma", completa.
O dermatologista detalha como a técnica é aplicada e seus efeitos. "Com o passar dos anos, esse músculo tende a exercer uma tração para baixo sobre os tecidos da face. Ao reduzir sua atividade com a aplicação da toxina botulínica, ocorre um reposicionamento mais harmonioso do contorno mandibular e uma diminuição da tensão na região cervical, conferindo um aspecto mais leve e rejuvenescido."
Assim como os demais tratamentos dermatológicos, o lifting com botox no pescoço requer indicação individualizada. "Os melhores resultados são observados em pacientes que apresentam bandas platismais evidentes, flacidez leve a moderada e boa qualidade de pele. Em casos de flacidez intensa, excesso significativo de pele ou acúmulo importante de gordura submentoniana, a toxina botulínica isoladamente não é suficiente, sendo necessário associar outros tratamentos, como bioestimuladores de colágeno, tecnologias de ultrassom microfocado, radiofrequência, lasers ou, em alguns casos, cirurgia”.
Além disso, o procedimento envolve riscos. "O pescoço concentra estruturas musculares e neurovasculares importantes, e uma técnica inadequada pode levar a efeitos indesejáveis, como dificuldade transitória para deglutir, alterações na movimentação do pescoço ou assimetrias. Por isso, o procedimento deve ser realizado exclusivamente por médicos habilitados, com treinamento específico e domínio da anatomia facial e cervical", alerta o dermatologista.
Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.



