Anvisa apresenta proposta para regulamentar uso medicinal da cannabis

Plano cria três resoluções distintas para produção, pesquisa e atuação de associações, após determinação do STJ

Canabidiol

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apresentou nesta segunda-feira (26) uma proposta para regulamentar todas as etapas da produção de cannabis para fins medicinais no Brasil.

A iniciativa atende a uma determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabeleceu prazo até 31 de março deste ano para a apresentação das regras.

Segundo a Anvisa, a proposta prevê a edição de três resoluções diferentes, voltadas a públicos e finalidades específicas, são elas:

  • Produção
  • Pesquisa
  • Associações de pacientes

O conteúdo será discutido na próxima quarta-feira (28), durante reunião pública da Diretoria Colegiada da Anvisa. Caso seja aprovado, o conjunto de normas passará a valer após a publicação no Diário Oficial da União.

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Produção

A proposta regulamenta a autorização para produção exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos, restrita a pessoas jurídicas. A concessão da autorização dependerá de inspeção sanitária prévia em cada estabelecimento.

Entre as exigências estão mecanismos de rastreabilidade, controle e segurança, como coordenadas geográficas, área georreferenciada e registro fotográfico das plantações.

O volume autorizado deverá estar vinculado à transformação farmacêutica contratada, em modelo semelhante ao adotado para produtos controlados no país.

A autorização será limitada a produtos com teor de THC igual ou inferior a 0,3%. Apenas insumos dentro desse padrão poderão ser importados ou adquiridos, todos sob regulação do Ministério da Agricultura.

Além disso, todos os lotes produzidos deverão passar por análise laboratorial.

Pesquisa

A regulamentação para pesquisa será restrita a instituições de ensino reconhecidas pelo MEC, instituições científicas, tecnológicas e de inovação públicas, indústrias farmacêuticas e órgãos de defesa do Estado.

Para obter autorização, as instituições deverão cumprir requisitos como:

  • inspeção sanitária prévia do local;
  • instalação de barreiras físicas de proteção;
  • vigilância 24 horas por dia com câmeras e alarmes;
  • controle rigoroso de acesso, com registros mantidos por até dois anos;
  • comunicação de qualquer roubo, perda ou incidente às autoridades em até 48 horas.

Associações de pacientes

A proposta prevê autorização exclusiva para associações de pacientes sem fins lucrativos, sem permissão para comercialização dos produtos.

O objetivo é avaliar, em ambiente controlado e supervisionado, a viabilidade sanitária da produção em pequena escala, fora do modelo industrial.

O funcionamento será feito por meio de chamamento público, com número limitado de projetos selecionados por ciclo, conforme critérios técnicos e sanitários.

O modelo também prevê:

  • plano de monitoramento com indicadores de qualidade;
  • rastreabilidade dos insumos até a dispensação aos pacientes;
  • apoio de laboratórios públicos ou privados; vedação expressa à comercialização dos produtos.

Segundo a Anvisa, os dados produzidos por esse modelo servirão de base para futuras decisões regulatórias sobre o tema.

O caso

Em novembro de 2024, o STJ determinou que a União e a Anvisa editassem norma autorizando a importação de sementes, além do plantio, cultivo e comercialização da planta para uso medicinal.

O prazo original era até 19 de maio de 2025, no entanto a Advocacia Geral da União (AGU) solicitou mais tempo para que a proposta fosse finalizada e o pedido foi atendido pelo STJ.

O Plano de Ação para Regulação e Fiscalização do Acesso a tratamentos com remédios à base de cannabis, apresentado em maio ao STJ, foi elaborado por diversos órgãos do Executivo em conjunto com pesquisadores, associações de pacientes e representantes do setor.

No Brasil, a Anvisa autoriza desde 2015 a importação de produtos à base de cannabis com prescrição médica. Já em 2019, passou a permitir a comercialização desses medicamentos no país.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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