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Oito em cada dez pessoas com HIV no Brasil não estão vacinadas contra mpox, aponta estudo

Espírito Santo, Rio Grande do Norte e Mato Grosso não vacinaram nenhum paciente com HIV contra mpox

Vacina foi introduzida no sistema de saúde do Brasil em março de 2023

No Brasil, entre as pessoas com HIV, a cobertura vacinal contra a mpox é de apenas 18,3%, aponta pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Entre as regiões do país, a região Sul é aquela que tem a menor cobertura, enquanto a região Sudeste tem mais pessoas vacinadas. Em alguns estados, nenhuma pessoa com HIV se vacinou contra a varíola dos macacos.

A vacina foi introduzida no sistema de saúde do Brasil em março de 2023, e a coleta de dados foi feita no mês de abril do mesmo ano. A pesquisadora à frente do estudo, Núbia Tavares, organizou as informações por regiões, por estados, por faixa etária e por gênero. No período analisado, 2.978 doses da vacina contra mpox foram administradas na população com HIV no país.

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Na região Sul, a que menos vacinou, há apenas 3,5% de vacinados, enquanto no Sudeste são 32,8%, cerca de um terço da população. O Rio de Janeiro e São Paulo são os estados que mais vacinaram na região, enquanto o Espírito Santo não vacinou ninguém.

O quadro é parecido na região Nordeste. Pernambuco tem 22,7% da população com HIV vacinada e o Rio Grande do Norte, zero. No Centro-Oeste, Mato Grosso também não tem pessoas com HIV vacinadas conta mpox, enquanto o Distrito Federal tem 23,7% de vacinados.

No Sul, região mais crítica, Santa Catarina tem apenas 0,9% de vacinados, enquanto o Paraná tem 6,1% e o Rio Grande do Sul, 3,5%.

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Considerando os gêneros, em todas as regiões os homens de todas as faixas etárias se vacinaram mais do que as mulheres. O resultado surpreende. Amuzza Santos, professora da Escola de Enfermagem da UFAL, comenta que “existe uma dificuldade de levar os homens para as unidades de saúde. As mulheres frequentam mais do que os homens, de maneira geral, então ficou uma incógnita para nós o porquê dessa diferença”.

A enfermeira não pesquisou os motivos para a baixa cobertura vacinal entre a população vivendo com HIV, mas a falta de informações sobre as vacinas, o medo dos efeitos colaterais e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde podem ser alguns fatores que influenciam a baixa procura pelo imunizante. “Cada unidade da federação precisa olhar para o seu público para entender o que está acontecendo”, afirma Tavares

*Sob supervisão de Lucas Borges


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Paula Arantes é estudante de jornalismo e estagiária do jornalismo digital da Itatiaia.