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Estudo mostra que chikungunya pode matar mesmo após o término de sintomas graves

Vacina contra a doença pode ser aprovada ainda neste ano; imunizante do Butantan aguarda a liberação da Anvisa

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra que o risco de morte por chikungunya é grande, mesmo após o término de sintomas mais graves. O número de óbitos por causa da doença é superior em até 84 dias após a infecção pelo vírus. Pessoas com comorbidades, como diabetes e doenças cardiovasculares, têm tendência a desenvolverem quadros mais graves durante os primeiros 14 dias de contaminação.

De acordo com o pesquisador da Fiocruz, na Bahia, Tiago Cerqueira Silva, na pesquisa que foi publicada na revista científica The Lancet, foi comparada a frequência de morte em pessoas com e sem diagnóstico por até dois anos depois do início dos sintomas. Uma segunda análise foi realizada avaliando as pessoas que faleceram após o diagnóstico chikungunya, comparando o número de mortes logo após o início da doença, com o número de mortes após seis meses do início dos sintomas. Nas duas análises foi observado o maior risco de óbito até 84 dias depois do início dos sintomas, com maior intensidade na primeira semana e decaindo até a décima segunda semana, afetando as pessoas, independente da faixa etária e sexo.

“Esse é um estudo bem importante porque complementa nosso conhecimento sobre essa doença em pesquisas prévias. Já tinha sido demonstrado que indivíduos com doenças crônicas, como diabetes e doenças cardiovasculares, desenvolviam um quadro mais grave durante a fase aguda da chikungunya, isto é, nos primeiros 14 dias. No cenário brasileiro, com a epidemia de casos de dengue, é importante lembrar que o mosquito Aedes aegypti também transmite outras doenças, como é o caso da chikungunya. As duas doenças têm potencial de causar quadros graves. Então é muito importante adotar medidas de prevenção, como tentar eliminar possíveis focos de criadouro do mosquito e utilizar repelentes”, explica o pesquisador.

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Vacina

Uma das formas de combater a chikungunya é a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Val Neiva. O imunizante aguarda a liberação da Anvisa para ser utilizado no país e, se mostrou seguro e induzindo a produção de anticorpos neutralizante em quase 99% dos voluntários. Segundo a diretora médica do Butantan, Fernanda Boulos, a vacina contra a chikungunya que está sendo desenvolvida é um imunizante de vírus vivo atenuado, produzida a partir do vírus da chikungunya, com algumas diluições, para que ele não consiga se replicar e causar a doença, mas consiga estimular a imunidade no organismo.

“Esta vacina foi estudada em adultos e em adolescentes a partir de 12 anos de idade. Esse desenvolvimento é fruto de uma parceria entre o Butantan e a Val Neiva, que é uma companhia austríaca. A Val Neiva desenvolveu esta vacina, fez o estudo em adultos e o Butantan conduziu o estudo em faixa etária de adolescentes aqui no Brasil, pela necessidade de um estudo em área endêmica para chikungunya. Esta vacina está em análise pela Anvisa. A gente imagina que se tudo correr bem, a gente tem uma aprovação dessa vacina ainda este ano, em 2024”, relata Fernanda Boullos, diretora médica do Butantan.

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Jornalista formada pelo Uni-BH, em 2010. Começou no Departamento de Esportes. No Jornalismo passou pela produção, reportagem e hoje faz a coordenação de jornalismo da rádio Itatiaia.
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