Muito antes da moda, os óculos nasceram da necessidade
Beleza, estilo, correção visual ou identidade. Hoje os óculos podem representar muitas coisas ao mesmo tempo, mas a origem do acessório está longe do universo da moda. Eles surgiram como resposta a uma limitação humana básica: enxergar melhor. Em um tempo sem cirurgias modernas e sem tecnologia avançada, a solução era mecânica e artesanal.
Ray Ban: dos campos de batalha ao cinema, como um óculos virou ícone
Por volta de 1284, estudos ópticos conduzidos por pensadores como Robert Grosseteste e Roger Bacon contribuíram para o desenvolvimento das primeiras lentes corretivas. Na Veneza medieval, artesãos organizados em guildas começaram a produzir versões rudimentares do que seriam os primeiros óculos, ainda sem armação, muitas vezes usados como monóculos.
Benjamin Franklin mudou a forma de enxergar o mundo
Séculos depois, a evolução mais marcante veio de um personagem improvável. Por volta de 1785, o político e inventor americano Benjamin Franklin desenvolveu os primeiros óculos bifocais. A solução permitia enxergar de longe e de perto sem precisar trocar lentes, algo revolucionário para a época.
A invenção ampliou o acesso à leitura e à escrita, especialmente entre pessoas que já tinham dificuldade visual. Aos poucos, o objeto deixou de ser apenas ferramenta médica e começou a ocupar também um lugar simbólico nas sociedades seguintes.
A guerra e a aviação criaram o óculos moderno
O salto definitivo dos óculos para o campo do design aconteceu no século XX. Após a Primeira Guerra Mundial, a indústria aeronáutica americana avançava rapidamente, mas os pilotos sofriam com um problema simples e grave: o brilho intenso do sol em grandes altitudes prejudicava a visão e colocava voos em risco.
Diante dessa necessidade, o governo americano buscou uma solução técnica e contratou a empresa óptica Bausch & Lomb, fundada nos Estados Unidos, para desenvolver um modelo que protegesse os olhos sem comprometer a visibilidade.
Após cerca de uma década de pesquisas, surgiu um modelo chamado Anti Glare Aviator. As lentes verdes de cristal especial reduziam o ofuscamento solar e o design seguia a lógica das máscaras de voo usadas pelos pilotos. O nome que o produto recebeu traduzia exatamente sua função: Ray Ban, expressão ligada à ideia de bloquear os raios solares.
Quando o Ray Ban saiu dos aviões e entrou na cultura pop
Em 1937, o modelo Aviator foi lançado para o público civil e rapidamente ultrapassou o uso técnico. O acessório começou a aparecer fora dos ambientes militares e passou a ser adotado por diferentes grupos sociais, ganhando espaço também no cinema.
Ao longo das décadas, diversas personalidades ajudaram a consolidar essa imagem. Audrey Hepburn usou óculos Ray Ban no filme Bonequinha de Luxo, contribuindo para associar o acessório ao estilo sofisticado. Sylvester Stallone apareceu com modelos da marca em Cobra, reforçando a estética ligada à ação e à masculinidade. Outros nomes como Tom Cruise, Matthew McConaughey, Penélope Cruz, Alyssa Milano e David Beckham também foram fotografados usando modelos Ray Ban, ampliando a presença da marca no imaginário popular.
O Wayfarer e outros modelos ampliaram o alcance da marca
Embora o Aviator seja o modelo mais emblemático, ele não foi o único responsável pela expansão da Ray Ban. O Wayfarer, lançado posteriormente, também se tornou referência estética e ajudou a levar a marca para novos públicos.
Com o passar dos anos, surgiram outras variações como Shooter, Small Metal, Ambermatic, Wings e Street Neat, cada uma dialogando com estilos diferentes, mas mantendo a identidade visual que liga os modelos à história da marca.
A marca virou global e mudou de mãos
Depois de décadas de sucesso, a Ray Ban foi adquirida pelo grupo italiano Luxottica, empresa com sede em Milão e presença internacional. O grupo ampliou a distribuição da marca, levando os óculos a mais de uma centena de países e consolidando sua presença global.
Sob a gestão da Luxottica, a Ray Ban continuou investindo em campanhas e coleções que misturam design clássico e inovação visual. Lançamentos recentes mantêm a proposta de transformar os óculos não apenas em acessório funcional, mas em peça de identidade.
O acessório que mistura tecnologia, história e estilo
Hoje os óculos Ray Ban ocupam um lugar curioso entre necessidade e desejo. Surgiram para proteger pilotos, cresceram com a indústria óptica, ganharam força no cinema e permanecem presentes nas ruas. Mesmo com a proliferação de versões falsificadas, o modelo original continua reconhecível.
O acessório que começou como solução técnica atravessou séculos e contextos culturais diferentes. De lentes artesanais medievais aos modelos icônicos do século XX, a história dos óculos mostra como um objeto funcional pode se transformar em símbolo visual e cultural.