Quando a tecnologia muda a cultura

Entre o erro e a ousadia, surge um profissional capaz de transformar código em alma

Quando a tecnologia muda a cultura

Há momentos na história em que o mapa deixa de servir. Vivemos um desses. A cada dia, o mundo entrega novas marés, e nenhuma bússola garante onde vamos chegar. Como escreveu Yuval Noah Harari, a revolução que estamos vivendo não é apenas tecnológica é cultural. E, quando a cultura vira do avesso, a forma de criar também se transforma.

As revoluções digitais deixaram de ser apenas sobre máquinas. Inteligência artificial, dados em tempo real, plataformas de comércio e audiências cada vez mais fragmentadas mudaram o jeito de pensar, de comunicar e de se conectar. Hoje, criar já não é apenas ter uma ideia: é entender um mundo que se move na velocidade dos bytes.

Criatividade deixou de ser detalhe: virou estratégia

Pesquisas citadas pela Harvard Business Review mostram um dado intrigante: 83% dos líderes globais acreditam que a IA tornará a criatividade ainda mais importante para o sucesso, mais importante do que era há poucos anos, outras pesquisas, apontam algo ainda mais forte: marcas que ousam e assumem riscos criativos faturam até quatro vezes mais do que aquelas que escolhem o caminho seguro.

Ou seja, criatividade nunca foi tanto timão.

Mas qual criatividade estamos defendendo?

As big techs prometem que basta definir objetivo e orçamento para que o algoritmo faça campanha, segmentação, entrega e até ideias. Mas isso não é criatividade é automação. O que cria conexão não é o anúncio perfeito, é o anúncio imperfeito que emociona.

Criatividade não nasce da ordem; nasce do tropeço. Ninguém encontra a grande ideia no primeiro rascunho, assim como ninguém encontra o amor na primeira tentativa. O caminho criativo sempre foi feito de tentativas, erros e recomeços. A tecnologia, por outro lado, detesta errar.

E é exatamente aí que aparece a mudança.

Nasce uma nova espécie de profissional

Quando o mundo acelera, surge gente disposta a remar diferente. No meio dessa tempestade digital, nasce um híbrido: o supercriativo.

Ele transforma a tecnologia em extensão da imaginação. Conhece Midjourney, ChatGPT, Runway, Veo e tantas outras ferramentas invisíveis. Constrói campanhas, roteiros, conceitos e experiências com velocidade de máquina e sensibilidade humana. Ele liga pontos que não estavam no mapa.

O supercriativo não tem medo de testar. Erra mais rápido. Corrige mais rápido. E entrega mais longe. Com algumas centenas de dólares, faz o que antes custava fortunas. Mas não pense que ele sai barato: ele não busca só salário. Busca sentido. Busca coragem. Busca impacto.

Poucas empresas estão prontas para recebê-lo

O supercriativo não trabalha onde reina o medo. Ele floresce onde existe experimentação. Empresas que oferecem apenas processos rígidos, aprovações eternas e receio de arriscar não o seguram.

As que vão crescer são as que entenderem que:

  • tecnologia não substitui imaginação,
  • imaginação não vive sem ousadia,
  • e ousadia é um ato de cultura.

As empresas que abrirem espaço para testar, errar, combinar arte com IA e dar autonomia para criar serão as que atrairão esse novo tipo de talento.

O supercriativo já está aqui

Ele não veio para roubar emprego. Veio para multiplicar possibilidades. Para transformar inteligência artificial em inteligência criativa. Para construir valor, moldar comportamento e deixar marcas que atravessam o tempo.

E um aviso importante: não é que você vai perdê-lo se não criar ambiente para ele. É pior.

Ele vai seguir em frente — e provavelmente vai passar por cima de você.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

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