Pele bronzeada começa pela alimentação e pode ganhar cor sem excesso de sol
Alimentos ricos em carotenoides podem alterar gradualmente a tonalidade da pele e contribuir para uma aparência mais dourada, mas não substituem a proteção solar nem devem ser usados como justificativa para aumentar a exposição à radiação ultravioleta

A busca por uma pele com aparência dourada costuma aumentar quando as temperaturas sobem e os dias ao ar livre se tornam mais frequentes. Mas conseguir uma tonalidade mais quente para a pele não precisa significar passar longos períodos sob o sol.
A alimentação pode participar desse processo. Alguns alimentos são ricos em carotenoides, pigmentos naturais encontrados em frutas, legumes e verduras que podem se acumular na pele e alterar discretamente sua coloração quando consumidos regularmente.
Entre eles está o betacaroteno, presente em alimentos como cenoura, manga, melão, abóbora e batata-doce. A substância também é precursora de vitamina A e participa de funções importantes do organismo.
O resultado, porém, é diferente do bronzeamento provocado pela radiação ultravioleta. Em vez de estimular a produção de melanina, como acontece após a exposição solar, os carotenoides podem contribuir para uma tonalidade mais amarelada ou dourada da pele.
O que o betacaroteno realmente faz
O betacaroteno pertence ao grupo dos carotenoides e pode ser convertido pelo organismo em vitamina A. A vitamina participa de funções relacionadas à visão, ao sistema imunológico e à manutenção de tecidos, incluindo a pele.
Quando há consumo frequente de alimentos ricos nesses pigmentos, parte dos carotenoides pode se acumular nos tecidos. Em determinadas situações, isso pode produzir uma mudança perceptível na coloração da pele.
Um estudo publicado no Journal of Nutrition avaliou a relação entre o consumo de frutas e vegetais e a coloração da pele. Os pesquisadores observaram que alterações na tonalidade associadas aos carotenoides podem contribuir para uma aparência considerada mais saudável pelos participantes.
Isso não significa, porém, que comer cenoura ou manga faça a pele “bronzeiar”. O mecanismo é diferente do bronzeamento provocado pela radiação solar.
Cenoura, manga e outros alimentos podem entrar no cardápio
A melhor maneira de aumentar o consumo de carotenoides é incluir diferentes vegetais e frutas na alimentação, em vez de apostar em grandes quantidades de um único alimento.
A cenoura é uma das fontes mais conhecidas de betacaroteno. Outros exemplos são abóbora, batata-doce, manga, melão e folhas verdes, como couve e espinafre, que também fornecem diferentes carotenoides.
A acerola e a melancia podem fazer parte de uma alimentação saudável, mas não são fontes especialmente concentradas de betacaroteno. A coloração avermelhada de alguns alimentos está relacionada a outros pigmentos, como o licopeno.
Por isso, variar as cores do prato é uma estratégia mais interessante do que procurar um único alimento capaz de modificar a aparência da pele.
A mudança de cor acontece gradualmente
Não é necessário, nem recomendado, exagerar no consumo de alimentos ricos em carotenoides para tentar mudar rapidamente a tonalidade da pele.
O organismo precisa de tempo para absorver e distribuir esses compostos. A intensidade da alteração também varia entre as pessoas e depende da quantidade consumida e de características individuais.
O excesso prolongado de betacaroteno proveniente da alimentação pode causar carotenemia, condição em que a pele adquire uma tonalidade amarelada ou alaranjada. As palmas das mãos e as plantas dos pés podem apresentar a mudança com maior facilidade.
Apesar da aparência chamar atenção, a carotenemia provocada pelo consumo excessivo de alimentos ricos em carotenoides geralmente não representa o mesmo risco de uma intoxicação por vitamina A pré-formada. A coloração tende a desaparecer gradualmente quando a ingestão é reduzida.
Alimentação não substitui o protetor solar
Esse é o principal cuidado ao falar em alimentação e bronzeamento. Nenhum alimento transforma a exposição à radiação ultravioleta em uma prática segura. Comer cenoura, manga ou outros alimentos ricos em carotenoides não permite aumentar o tempo de exposição ao sol sem consequências.
A radiação ultravioleta provoca danos celulares e está associada ao envelhecimento precoce e ao câncer de pele. Por isso, a proteção continua sendo necessária mesmo para quem deseja manter uma tonalidade mais dourada
A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda medidas como evitar exposição solar excessiva, buscar sombra, utilizar roupas e acessórios de proteção e aplicar filtro solar adequadamente.
O protetor deve ser aplicado nas áreas expostas e reaplicado conforme as orientações do produto, especialmente depois de transpiração intensa ou contato com água.
Bronzeado e saúde da pele são coisas diferentes
A expressão “pele bronzeada e saudável” é comum, mas o bronzeamento causado pelo sol não é exatamente um sinal de saúde da pele.
A mudança de pigmentação provocada pela radiação UV representa uma resposta do organismo à exposição. Quanto maior e mais frequente a exposição sem proteção, maior o acúmulo de danos ao longo do tempo.
Isso não significa que seja necessário evitar completamente atividades ao ar livre. A recomendação é reduzir a exposição excessiva e adotar medidas de fotoproteção.
Para quem deseja uma aparência bronzeada sem aumentar a exposição solar, produtos autobronzeadores podem ser outra alternativa. Eles alteram temporariamente a camada superficial da pele e não dependem da radiação UV para produzir a mudança de cor.
Uma alimentação variada ajuda mais do que uma dieta para bronzear
Em vez de montar uma dieta exclusivamente para mudar a cor da pele, o ideal é incluir alimentos coloridos dentro de uma alimentação equilibrada.
Frutas, verduras e legumes fornecem fibras, vitaminas, minerais e diferentes compostos bioativos. Cenoura, abóbora, manga, folhas verdes e outros alimentos ricos em carotenoides podem fazer parte desse conjunto.
Também é importante consumir fontes adequadas de proteínas, gorduras de boa qualidade e outros nutrientes necessários para o funcionamento do organismo.
Uma alimentação equilibrada pode contribuir para a saúde geral e, consequentemente, para a manutenção da pele. Mas não existe um cardápio capaz de impedir queimaduras ou neutralizar os efeitos da radiação ultravioleta.
Cuidado com suplementos de betacaroteno
Outra diferença importante está entre obter carotenoides pela alimentação e utilizar suplementos.
Para a maioria das pessoas, não há necessidade de recorrer a cápsulas de betacaroteno simplesmente para mudar a tonalidade da pele. Suplementos apresentam concentrações muito maiores e devem ser utilizados com orientação profissional quando houver indicação.
Além disso, o betacaroteno em suplementos não deve ser confundido com uma proteção solar. Ele não substitui filtro solar nem outras medidas de fotoproteção.
A recomendação vale especialmente para pessoas que fumam ou já fumaram, pois suplementos de betacaroteno em altas doses foram associados a aumento do risco de câncer de pulmão neste grupo.
A melhor combinação é alimentação equilibrada e proteção
A alimentação pode contribuir para uma pele com aparência mais saudável e, quando há consumo regular de carotenoides, até modificar discretamente sua tonalidade. Mas esse efeito não deve ser confundido com bronzeamento solar.
Para quem gosta de uma aparência dourada, incluir alimentos coloridos no cardápio é uma estratégia mais segura do que buscar longas exposições ao sol. Cenoura, manga, abóbora, batata-doce e folhas verdes podem fazer parte dessa rotina.
A proteção solar, porém, continua indispensável. Em vez de tentar escolher entre alimentação e fotoproteção, a melhor abordagem é combinar uma alimentação variada com hábitos que reduzam a exposição excessiva à radiação ultravioleta.
Assim, a busca por uma pele bonita não precisa significar abrir mão da saúde. O objetivo é cuidar da pele por dentro e por fora, sem transformar o bronzeado em justificativa para se expor ao sol sem proteção.
Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.



