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Noite mal dormida? Saiba quais alimentos evitar durante o período noturno

Refeições muito pesadas, ultraprocessados e bebidas alcoólicas estão entre as escolhas que merecem atenção antes de dormir

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Refeições muito pesadas e alimentos ultraprocessados podem não ser as melhores escolhas para o período antes de dormir.
Refeições muito pesadas e alimentos ultraprocessados podem não ser as melhores escolhas para o período antes de dormir. • Magnific

A alimentação no período noturno pode influenciar a qualidade do sono, principalmente quando envolve grandes quantidades de comida, excesso de gordura, produtos ultraprocessados ou bebidas alcoólicas. 

Isso não significa que exista uma lista universal de alimentos proibidos antes de dormir, mas alguns hábitos podem aumentar o desconforto digestivo e prejudicar o descanso.

O horário e a quantidade também fazem diferença. Uma refeição muito volumosa pouco antes de deitar deixa o organismo ocupado com a digestão justamente no momento em que o corpo deveria iniciar uma transição para o repouso. Para quem costuma apresentar azia, refluxo ou sensação de estômago cheio, o desconforto pode ser ainda mais evidente.

Por isso, mais importante do que simplesmente eliminar determinados alimentos é observar o tamanho da refeição, o intervalo entre comer e deitar e a resposta individual do organismo.

Fast-food e ultraprocessados exigem atenção

Pizza, hambúrgueres, batatas fritas, sorvetes, salgadinhos e outros produtos ultraprocessados costumam reunir características que podem não favorecer uma boa noite de sono, como alta densidade energética, gordura, sódio e grande quantidade de açúcares ou carboidratos refinados.

Uma revisão sistemática publicada em 2024, que reuniu sete estudos, encontrou associação entre maior consumo de alimentos ultraprocessados e risco mais elevado de insônia. A relação foi especialmente observada entre adolescentes, embora os autores ressaltem que são necessários mais estudos para estabelecer mecanismos e relações de causa e efeito.

Outro trabalho internacional, publicado no BMJ em 2024, reuniu 45 análises com quase 9,9 milhões de participantes e encontrou associação entre maior exposição a ultraprocessados e diversos resultados negativos de saúde. Entre eles estava o conjunto de desfechos relacionados ao sono, embora a qualidade da evidência varie de acordo com o problema analisado.

Isso não significa que comer uma pizza ocasionalmente necessariamente provocará insônia. A questão está no padrão alimentar e, especialmente, no hábito de fazer refeições muito pesadas próximo ao horário de dormir.

Bebidas alcoólicas também podem prejudicar o descanso

O álcool merece atenção especial porque existe uma falsa sensação de que beber antes de dormir ajuda a pegar no sono. A bebida pode, de fato, fazer algumas pessoas adormecerem mais rapidamente, mas isso não significa que o sono será de melhor qualidade.

Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025 no Sleep Medicine Reviews avaliou 27 estudos sobre o efeito do álcool no sono. Os pesquisadores observaram alterações na arquitetura do sono, incluindo atraso no início da fase REM e redução de sua duração. O efeito sobre o sono REM apareceu mesmo com doses consideradas baixas, de até aproximadamente duas doses-padrão.

Por isso, trocar uma refeição pesada por bebidas alcoólicas não representa uma solução. O álcool pode dar a impressão inicial de relaxamento, mas não necessariamente proporciona um descanso reparador.

Comer demais antes de deitar pode aumentar o desconforto

Outro ponto importante é a quantidade. Mesmo um alimento considerado saudável pode provocar desconforto quando consumido em excesso imediatamente antes de dormir.

Uma refeição muito volumosa exige maior atividade do sistema digestivo e pode favorecer sintomas como sensação de estômago cheio, azia e refluxo em pessoas predispostas. Deitar logo depois da refeição também pode piorar esses sintomas.

Por isso, quem costuma sentir desconforto à noite pode se beneficiar de refeições menores e mais leves no período próximo ao sono. A ideia não é passar fome, mas evitar concentrar uma grande quantidade de comida pouco antes de ir para a cama.

O mesmo raciocínio vale para os chamados “petiscos noturnos”. Comer repetidamente diante da televisão ou do celular pode fazer com que a pessoa consuma mais calorias sem perceber, especialmente quando as escolhas são biscoitos, doces, salgadinhos e outros produtos ultraprocessados.

Uma revisão sistemática publicada em 2023 encontrou associação entre consumo de ultraprocessados e diferentes indicadores relacionados ao sono. Os autores, entretanto, destacam que grande parte das evidências disponíveis ainda é observacional, o que impede afirmar que esses alimentos sejam, isoladamente, a causa dos problemas de sono.

O que comer quando a fome aparece à noite

Sentir fome antes de dormir não significa que seja necessário ir para a cama sem comer. A melhor escolha depende da rotina, das necessidades individuais e do horário da última refeição.

Quando existe fome, pequenas porções podem ser mais adequadas do que refeições volumosas. Frutas, iogurte natural, aveia ou outras preparações simples podem fazer parte de uma alimentação equilibrada, desde que sejam compatíveis com as necessidades e restrições de cada pessoa.

Também é importante evitar transformar a alimentação noturna em uma segunda refeição completa. Uma pizza inteira, um hambúrguer com batata frita ou uma grande sobremesa podem representar uma carga alimentar consideravelmente maior do que um pequeno lanche.

Pimentas e alimentos muito condimentados também podem incomodar algumas pessoas, principalmente aquelas que apresentam refluxo ou sensibilidade gastrointestinal. Não há, porém, base para afirmar que pimenta ou canela devam ser evitadas por supostamente “acelerarem o metabolismo” durante a noite. A questão mais relevante é a tolerância individual e o possível desconforto digestivo.

No fim das contas, a relação entre alimentação e sono é mais complexa do que uma simples lista de alimentos proibidos. Quantidade, horário, frequência e qualidade geral da dieta importam.

Uma rotina noturna mais favorável ao descanso passa por evitar exageros, reduzir o consumo frequente de ultraprocessados e ter cautela com álcool. Para quem percebe insônia, refluxo ou outros sintomas recorrentes, também vale observar quais alimentos aparecem antes desses episódios e buscar orientação profissional.

A alimentação pode contribuir para uma noite melhor, mas não existe um único ingrediente capaz de garantir o sono. O conjunto de hábitos é o que mais importa.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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