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Moda Circular: o movimento que transforma guarda-roupas

Alugar, trocar e reutilizar roupas são práticas que conquistam quem busca estilo e responsabilidade

Moda Circular o movimento que transforma guarda-roupas

O que é moda circular e por que ela chegou para ficar

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A moda circular vem se consolidando como um dos maiores movimentos transformadores do consumo contemporâneo. Muito além de uma tendência passageira, esse conceito propõe repensar todo o ciclo de vida das roupas. Ao contrário da lógica linear — que extrai, produz, vende e descarta —, a circularidade convida cada consumidor a prolongar o uso das peças, estender sua história e evitar que toneladas de têxteis acabem nos aterros sanitários.

Em 2025, estudos mostram que mais de 65% dos brasileiros já consideram o impacto ambiental antes de comprar roupas. O crescimento de brechós, plataformas de aluguel e aplicativos de revenda revela que a moda circular não é apenas discurso, mas prática incorporada ao dia a dia de milhões de pessoas.

Moda Circular o movimento que transforma guarda-roupas

Trocar é o novo comprar

Trocar roupas se tornou uma forma inteligente de renovar o guarda-roupa sem aumentar a pegada ambiental. Eventos de troca, conhecidos como swap parties, acontecem em várias cidades do país e unem quem deseja desapegar e quem procura novidades com propósito. Além de reduzir custos, essa prática estimula conexões, valoriza histórias e diminui a produção de resíduos.

Para quem prefere soluções digitais, apps como Troc e Repassa permitem cadastrar peças, negociar valores e enviar produtos para todo o Brasil. Essas plataformas oferecem curadoria de qualidade e simplificam o processo, tornando a experiência mais segura e prática.

O mercado de aluguel conquista novos públicos

Há alguns anos, alugar roupas era restrito a festas de gala e casamentos. Hoje, o aluguel de moda se diversificou e conquistou consumidores que buscam praticidade, economia e sustentabilidade. Segundo a consultoria Allied Market Research, o mercado global de aluguel de roupas deve ultrapassar US$ 7 bilhões até 2027, impulsionado pela demanda de millennials e geração Z.

No Brasil, empresas como Roupateca e Dress & Go ampliaram seu acervo para incluir peças casuais e looks de trabalho. Essa alternativa permite experimentar marcas premium sem gastar grandes valores e sem acumular roupas que ficam paradas no armário. Além disso, reduz a necessidade de produção constante e incentiva o consumo consciente.

Brechós online vivem o auge

Brechós virtuais cresceram exponencialmente nos últimos anos. Plataformas como Enjoei, Peguei Bode e Micolet oferecem variedade de estilos, tamanhos e faixas de preço. Com fotos detalhadas e políticas de devolução, esses sites tornaram a compra de segunda mão mais acessível e confiável.

Dados do Google Trends indicam que buscas por “brechó online” aumentaram mais de 300% no Brasil entre 2020 e 2025. Esse comportamento reforça que comprar roupas usadas deixou de ser tabu e passou a ser uma atitude admirada por quem valoriza originalidade e responsabilidade ambiental.

Marcas brasileiras que apostam na circularidade

Diversas grifes nacionais incorporam a circularidade ao seu modelo de negócios. A FARM, por exemplo, criou um programa de recompra e revenda de peças usadas. Já a Reserva lançou o Reserva Circular, que coleta roupas antigas de qualquer marca e oferece créditos em compras futuras. Iniciativas como essas mostram que empresas podem unir lucro e propósito, transformando a moda em um agente positivo.

Outro exemplo inspirador vem da Another Place, marca que utiliza resíduos têxteis para criar novas peças e embalagens sustentáveis. Esse tipo de ação educa consumidores e fortalece uma cadeia mais ética e colaborativa.

Como a moda circular reduz impactos ambientais

A indústria têxtil está entre as que mais consomem recursos naturais. Produzir uma única camiseta de algodão requer cerca de 2.700 litros de água, quantidade suficiente para uma pessoa beber por dois anos e meio. Quando a roupa é descartada após poucos usos, esse impacto se torna ainda mais injustificável.

Ao adotar a moda circular, consumidores estendem a vida útil das peças, reduzem a demanda por produção nova e evitam emissões de carbono geradas pelo transporte e descarte. A Organização das Nações Unidas estima que prolongar em 9 meses a vida útil de uma peça pode diminuir em 20% sua pegada ambiental.

Economia e estilo podem andar juntos

Um dos maiores mitos sobre a moda circular é que ela compromete o estilo pessoal. Na prática, acontece exatamente o oposto: trocar, alugar e comprar de segunda mão possibilita criar composições únicas que dificilmente se encontram em lojas tradicionais. Além disso, o custo-benefício atrai quem quer qualidade sem abrir mão de economia.

Brechós de luxo, por exemplo, oferecem bolsas, sapatos e vestidos de marcas renomadas por uma fração do preço original. Já os serviços de assinatura permitem variar o guarda-roupa de forma prática e constante, sem acúmulo.

Dicas para começar a consumir de forma circular

Se você deseja experimentar a moda circular, comece avaliando seu próprio armário. Liste peças que não usa há meses e considere doá-las, trocá-las ou revendê-las. Em seguida, pesquise brechós online e plataformas de aluguel. Antes de comprar algo novo, reflita se realmente precisa daquela peça ou se há outras formas de obter o mesmo resultado.

Criar o hábito de planejar compras e priorizar qualidade em vez de quantidade faz toda diferença. Além disso, conversar com amigos e familiares sobre consumo consciente pode inspirar novas atitudes e gerar mudanças coletivas.

O futuro da moda circular no Brasil

A tendência é que a moda circular se torne ainda mais relevante nos próximos anos. Dados da Ellen MacArthur Foundation indicam que, se a indústria adotar a circularidade em larga escala, pode economizar US$ 500 bilhões por ano e evitar toneladas de resíduos.

No Brasil, o crescimento de startups, cooperativas e brechós reforça que esse movimento chegou para ficar. Ao mesmo tempo, consumidores demonstram interesse crescente em conhecer a origem das peças e apoiar marcas transparentes.

A moda circular já não é só uma alternativa sustentável, mas uma nova forma de se relacionar com o consumo, o planeta e a própria identidade.

Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Editor do Jornal Lagoa News. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.