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Campanha da YSL Beauty alerta para sinais de controle nos relacionamentos

Iniciativa “Abuso Não É Amor” chama a atenção para comportamentos que podem ser confundidos com demonstrações de cuidado, como monitorar a localização, fiscalizar o celular e exigir acesso constante ao parceiro, e propõe ampliar a conscientização sobre a violência nos relacionamentos.

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A campanha “Abuso Não É Amor”, da YSL Beauty, busca ampliar a conscientização sobre sinais de violência nos relacionamentos.
A campanha “Abuso Não É Amor”, da YSL Beauty, busca ampliar a conscientização sobre sinais de violência nos relacionamentos. • Magnific

A fronteira entre cuidado e controle pode ficar menos evidente quando o relacionamento também acontece por meio das telas. Compartilhar a localização, acompanhar a atividade nas redes sociais ou esperar respostas imediatas às mensagens são comportamentos que, dependendo do contexto, podem deixar de ser acordos entre o casal e se transformar em instrumentos de vigilância e pressão.

É esse cenário que a YSL Beauty aborda em “Abuso Não É Amor”, iniciativa criada em 2020 para conscientizar sobre a violência por parceiro íntimo. Em entrevista à revista Schön!, publicada em setembro de 2026, a atriz Alisha Boe, embaixadora da marca, e a psicoterapeuta do movimento e consultora de pesquisa da iniciativa, Dra. Nina Jane Patel, discutem como a tecnologia pode modificar a dinâmica dos relacionamentos e dificultar a identificação de comportamentos abusivos.

A campanha procura ampliar o debate para além das agressões físicas. Humilhação, manipulação, intimidação, isolamento e controle também podem fazer parte de uma relação abusiva. Quando essas atitudes são naturalizadas ou interpretadas como prova de amor, a pessoa que as vivencia pode ter dificuldade para reconhecer os sinais e buscar ajuda.

Quando o cuidado se transforma em controle digital

A presença constante do celular na rotina dos casais abriu novas possibilidades de conexão, mas também de monitoramento. Pedir que o parceiro compartilhe a localização pode ser um acordo consensual; exigir esse acesso, cobrar explicações sobre cada deslocamento ou usar as informações para restringir a liberdade são situações diferentes.

O mesmo vale para as redes sociais. A insistência em conferir conversas privadas, exigir senhas, fiscalizar curtidas e comentários ou questionar continuamente com quem a outra pessoa interage pode indicar uma tentativa de controlar sua vida pessoal. A pressão para responder imediatamente a mensagens e chamadas também merece atenção quando vem acompanhada de cobranças, ameaças ou punições.

A tecnologia, por si só, não determina se uma relação é saudável ou abusiva. O contexto, o consentimento e a possibilidade de estabelecer limites são fundamentais para avaliar a situação. O sinal de alerta aparece quando uma pessoa passa a sentir medo de desagradar a outra, perde autonomia ou precisa justificar constantemente suas escolhas para evitar conflitos.

No ambiente digital, o controle também pode envolver o uso de ferramentas de rastreamento, o acesso não autorizado a contas e a divulgação de informações privadas. Esses comportamentos podem ultrapassar os limites da intimidade e comprometer a segurança e a liberdade de quem está sendo vigiado.

Os sinais de abuso nem sempre são evidentes

A iniciativa da YSL Beauty destaca diferentes comportamentos que podem aparecer em relacionamentos abusivos: ciúme excessivo, humilhação, manipulação, intimidação, chantagem, invasão de privacidade e tentativas de afastar a pessoa de amigos e familiares. O controle sobre a aparência, os lugares frequentados e as decisões cotidianas também merece atenção.

Essas atitudes nem sempre surgem de uma só vez. Em algumas situações, aparecem gradualmente e são justificadas como preocupação, proteção ou medo de perder o parceiro. Frases que colocam a responsabilidade pelo comportamento abusivo na outra pessoa, como atribuir o controle ao amor ou ao ciúme, podem contribuir para que os limites sejam desrespeitados.

Reconhecer esses sinais não significa que um único comportamento isolado seja suficiente para definir toda a dinâmica de um relacionamento. O importante é observar se há repetição, coerção, medo, restrição da liberdade ou desrespeito aos limites estabelecidos. Uma relação saudável permite que as duas pessoas mantenham sua individualidade, suas amizades, sua privacidade e o direito de discordar.

Também é importante não responsabilizar quem sofre violência por não ter identificado os sinais antes ou por permanecer na relação. Medo, dependência emocional ou financeira, ameaças e isolamento podem dificultar a busca por ajuda. Oferecer escuta sem julgamento e respeitar o tempo e as decisões da pessoa são atitudes importantes para quem deseja apoiar alguém nessa situação.

Conscientização como ferramenta de prevenção

Com “Abuso Não É Amor”, a YSL Beauty reúne ações de conscientização, formação de funcionários, parcerias com organizações sem fins lucrativos e apoio à produção de pesquisas sobre violência por parceiro íntimo. A iniciativa internacional estabeleceu como objetivo educar 2 milhões de pessoas até 2030 sobre os sinais de alerta de abuso. A página brasileira do programa informa que 1,3 milhão de pessoas haviam sido treinadas desde 2020, número divulgado pela própria marca.

A campanha também propõe uma conversa mais ampla sobre o que caracteriza uma relação saudável em um cotidiano marcado pela conexão permanente. Ter acesso ao celular ou às redes sociais de alguém não deve ser tratado como uma obrigação para provar confiança. Intimidade não elimina o direito à privacidade, e estar em um relacionamento não significa abrir mão da autonomia.

Para quem percebe sinais de violência em sua própria relação ou na experiência de alguém próximo, procurar uma rede de apoio pode ser um primeiro passo. No Brasil, mulheres em situação de violência podem entrar em contato com o Ligue 180, serviço gratuito que oferece orientação e encaminhamento para a rede de atendimento. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo 190.

Ao trazer o controle digital para o centro da discussão, a iniciativa reforça que comportamentos abusivos não devem ser confundidos com afeto. Identificar os sinais, conversar sobre limites e divulgar informações confiáveis são medidas importantes para prevenir a violência e ampliar as possibilidades de apoio.

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Profissional de Comunicação. Head de Marketing da Metalvest. Líder da Agência de Notícias da Abrasel. Ex-atleta profissional de skate. Escreve sobre estilo de vida todos os dias na Itatiaia e na CNN Brasil.

 

 

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